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quinta-feira, setembro 24, 2020
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Carlos morre

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Uma das cenas mais emblemáticas das últimas versões de ‘Éramos Seis’, a morte de Carlos (Danilo Mesquita), irá ao ar no capítulo desta sexta-feira, dia 7 de fevereiro. 
 

Após ser baleado em uma manifestação onde estava por acaso, Carlos é levado ao hospital e passa por uma cirurgia, antes mesmo de sua família descobrir seu paradeiro. É Alfredo (Nicolas Prattes) quem o encontra, quando já sem saber mais onde procurar, sai com Marcelo (Guilherme Ferraz) em busca do irmão pelos hospitais da cidade. Ao mesmo tempo, Almeida (Ricardo Pereira) chega à casa de Lola (Gloria Pires) na companhia do Delegado Gusmões (Stepan Nercessian) e eles informam que Carlos está em estado grave no hospital devido aos tiros que levou. Todos vão para o hospital e Lola, Alfredo, Isabel (Giullia Buscacio) e Clotilde (Simone Spoladore) são as pessoas que estão no quarto nos últimos momentos de Carlos em vida. Antes de morrer, ele tem uma conversa franca e emocionante com Isabel, Lola e Alfredo.
 

A morte do personagem não causou impacto apenas na ficção. A autora Angela Chaves conta que foi doloroso para ela escrever esta trama. “A morte de Carlos é necessária para contarmos a história desta família, por mais querido que seja o personagem, por mais injusta que seja a situação, e por mais que me doa mantê-la nesta versão. Além do mais, do jeito que acontece, por obra do acaso, por Carlos estar no lugar errado na hora errada, se torna um dos momentos mais bonitos e impactantes da adaptação de Sílvio de Abreu e Rubens Edwald. Por isso foi mantida nesta versão”, explica a auora. “A tragédia transforma a vida dos irmãos e da mãe. “Como ser feliz depois de uma tragédia dessas?”, é o que Lola se pergunta. É o que todos se perguntam! E, no entanto, cada um de seu jeito, encontra uma forma de ir em frente, porque é assim que tem que ser.”, finaliza.
 

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As cenas vão ao ar a partir desta sexta-feira (7 de fevereiro). ‘Éramos Seis’ é escrita por Angela Chaves, baseada na novela original escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, livremente inspirada no livro de Maria José Dupré. A direção artística é de Carlos Araújo e a obra conta ainda no elenco com Eduardo Sterblitch, Maria Eduarda de Carvalho, Werner Schünemann, Camilla Amado, Denise Weimberh, Virgínia Rosa, entre outros.
 

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Entrevista Danilo Mesquita
 

As cenas da manifestação envolveram uma produção enorme na cidade cenográfica. O cheiro de pólvora, os panfletos na rua, o grito dos manifestantes ecoando… isso, de alguma forma, tocou você e influenciou na emoção do momento?

Sim, envolveu muito minha emoção. Eu nunca tinha gravado uma morte, nunca tinha tomado um tiro em cena. Então, isso tudo já tinha me deixado num estado de tensão, de alerta. Quanto às cenas, elas foram muito bem dirigidas e produzidas. Quem estava lá sentia essa emoção, além de ser uma questão histórica do Brasil. A história do Brasil me interessa muito, falar sobre o país me interessa. Meu personagem, por exemplo, é conservador, critica o comunismo e acaba sendo morto pelas mãos do Estado. Aquelas pessoas estavam ali para lutar pelo direito do trabalhador, pelo direito de viver melhor, de trabalhar em condições melhores. Então, durante as gravações, tudo isso bateu na minha cabeça de forma muito emocionante. Eu acho que é importante falar disso na TV brasileira para que os que são contra as pessoas que lutam pelos pobres consigam entender melhor essa luta e enxergar todos os lados. Eu espero que, com as cenas, as pessoas reflitam bastante. Fico feliz de participar disso, um debate que considero fundamental.
 

Como foi gravar as cenas do hospital, quando Carlos conversa com os irmãos, com quem recentemente tinha brigado e se despede de Lola?
Essas cenas do hospital foram muito emocionantes também. Como comentei, nunca tinha feito cenas de morte. Eu me emocionei muito pessoalmente, foi um dia difícil, um dia pesado, procurei me concentrar bastante. Fiquei muito emocionado inclusive nas cenas em que eu já tinha morrido e que acontecem os diálogos enquanto eu estou na cama. Tive que me controlar muito para não chorar porque eu não podia me mexer. Eu ainda não vi as cenas, não vi o resultado final, quero ver com todos, quando passar na TV, mas foi bastante emocionante gravar isso. Queria, inclusive, mandar um beijo especial para Giullia Buscacio, Simone Spoladore, Nicolas Prattes e a Gloria Pires que estavam na cena. Espero que as pessoas gostem. É uma experiência que eu vou guardar para sempre.
 

É difícil não se envolver com a história? Como isso acontece para você?

É muito difícil não se envolver com a história. A gente acha que não vai se envolver tanto, acha que vai chegar ali, fazer o trabalho, fazer o máximo que der, mas quando chega na hora e você se vê naquela situação vulnerável, você vê sua família na trama, todo mundo chorando… O nosso trabalho é muito encantador por isso, você sabe que é mentira, mas seu corpo não sabe. Você da informação para o seu cérebro de que você está morrendo, de que você está triste. Por mais que você saiba que é mentira, seu corpo não sabe e começa a te levar para uns cantos que você tem que respirar de vez em quando e lembrar que aquilo é faz de conta. É muito difícil não se envolver nesse sentido. 
 

Pouco antes de sua morte, Alfredo diz a Carlos que ele deve viver mais sua vida, e menos a dos outros. O que você pensa sobre essa reflexão?

Uma das coisas mais bonitas da relação deles é neste momento, quando Alfredo diz a ele que é importante viver sua vida, ser feliz. O Carlos realmente nunca conseguiu ser feliz. Essa reflexão que o Alfredo faz o Carlos ter é fundamental para eles. O Alfredo e o Carlos são pessoas completamente diferentes, de mundo diferentes, de formas de pensar diferentes. E eles vão se entender muito pouco nesse processo. Eu acho que o Alfredo é um personagem maravilhoso. Ao mesmo tempo que ele tem um lado irresponsável, que comete alguns equívocos (que ele acredita estar fazendo para ajudar), nunca tem maldade. Ele não é mau-caráter, é um personagem muito interessante, é um personagem muito bom, um cara que se solidariza pela luta do outro, que se solidariza pela luta dos menos favorecidos. É a mesma coisa com o Carlos. Ele tem um lado conservador, mais cricri, mas tem o lado da parceria, tudo que ele fala é realmente por amor, para que as pessoas se escutem, isso é fundamental. Então, se o Alfredo ouvisse um pouquinho o Carlos, no sentido de ter mais tranquilidade, dar mais atenção para certas coisas, poderia ser bom para ele. E se o Carlos ouvisse o Alfredo em milhões de coisas, como viver a vida, viver a vida dele próprio, entender esse lugar da luta política, ele também poderia ser um pouco melhor. 
 

Comunicação Globo

Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 2020

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