Apenas um terço dos profissionais de saúde foi testado para covid-19

Em junho, apenas 32% receberam equipamento de proteção individual
© Rovena Rosa/Agência Brasil
Médicos fazem treinamento no hospital de campanha para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera. – © Rovena Rosa/Agência Brasil

Apenas um em cada três profissionais de saúde foi testado para covid-19, de acordo com levantamento divulgado hoje (30), pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Embora as categorias da área estejam expostas, diariamente, a um alto risco de contágio da doença, somente metade dos funcionários recebeu equipamentos de proteção individual (EPI) para desenvolver suas atividades, no mês passado.

Os EPI faltaram, sobretudo, entre agentes comunitários de saúde e os agentes de endemia. Em junho, apenas 32% deles receberam esse tipo de item, por iniciativa dos respectivos empregadores. O índice está somente um pouco acima do registrado em abril, de 19,65%.

Os apontamentos foram elaborados com base em uma segunda devolutiva do estudo A Pandemia de Covid-19 e os Profissionais de Saúde Pública no Brasil. O levantamento ouviu 2.138 profissionais da saúde pública, de todos os níveis de atenção e regiões do país, entre os dias 15 de junho e 1º de julho.

A amostragem é composta por 40% de agentes comunitários e agentes de controle de endemia, 20,8% de profissionais de enfermagem, 14,7% de médicos e 23,8% de outros profissionais do segmento.

A primeira fase do estudo, realizada em abril, foi costurada a partir da percepção de 1.456 trabalhadores. Além de ampliar o número de entrevistados, os pesquisadores buscaram investigar aspectos relativos a saúde mental, assédio moral e testagem dos profissionais.

Capacitação e medo

Pelas respostas enviadas através de formulário, constata-se que os trabalhadores que tiveram treinamento para aperfeiçoar o atendimento durante a crise sanitária são minoria, a exemplo do que ocorreu em relação à testagem. A proporção dos profissionais que tiveram acesso a uma capacitação específica sobre atendimento durante a pandemia subiu de 21,91% para 32,2%, entre abril e junho. No cômputo, foram considerados médicos e técnicos de enfermagem.

Tais números podem ser relacionados a outro índice: o que mensura o nível de temor quanto à covid-19. Ao todo, 89% de agentes comunitários de saúde e agentes de combate à endemia reconheceram sentir medo da doença, mesmo sentimento compartilhado por 83% dos profissionais da enfermagem, 79% dos médicos e 86% de demais profissionais da área de saúde.

A preocupação é justificada não só pelo contexto geral, mas porque sentem que a infecção se avizinha, já que 80% dos entrevistados declararam ter ao menos um colega contaminado pelo novo coronavírus nessa segunda fase da pesquisa. Anteriormente, esta parcela era de 55%.

No que concerne à atuação do governo federal, a avaliação piorou. Em abril, 67% diziam não sentir que tal esfera do poder público os apoia, parcela que aumentou para 78% em junho. A insatisfação é superior à observada quanto à falta de suporte do governo municipal, que foi de 58%.

Saúde mental

Outros aspectos abordados foram o assédio moral e o comprometimento da saúde mental, que atingem, respectivamente, 30% e 78,2% dos profissionais consultados pela FGV. Mesmo diante dos problemas, somente um quinto (20%) afirmou ter recebido algum tipo de apoio do estado para enfrentá-los.

A confluência de fatores destacados pelos profissionais, que, majoritariamente (95%) teve sua rotina alterada, ajuda a explicar por que 70% deles não se sentem preparados para lidar com a pandemia. Na primeira fase da pesquisa, o índice era 64,97%.

Conforme explica a coordenadora da pesquisa, Gabriela Lotta, a omissão das autoridades governamentais “cria uma situação muito tensa de trabalho, na qual prevalecem o medo e o sentimento de despreparo”. Como consequência disso, acrescenta a especialista, surge um aumento dos casos de transtorno mental, adoecimento, afastamento do trabalho e até morte.

Previous Article
Horóscopo

Horóscopo de sexta-feira 31 de julho de 2020

Next Article
Andrés Ricaurte pode pintar no Vasco da Gama

Reforços do Vasco da Gama: Clube encaminha contratação de atacante e fica próximo de Arzamendia e Ricaurte

Related Posts

Onze pessoas morreram nos hospitais da Grande Manchester após contrair coronavírus

Eleven more people have died at Greater Manchester's hospitals having contracted coronavirus. The latest NHS data reveals that at least 78 people have died in the region's facilities after testing positive for the virus. Further deaths have been confirmed at the Manchester University Foundation Trust, Pennine Actue Hospitals NHS Trust, Salford Royal and Tameside General.…

Reino Unido pode enfrentar bloqueio ao estilo da Itália, alerta Boris Johnson

The public must stop congregating in public or face new coronavirus enforcement measures within 24 hours, Boris Johnson has said, amid growing concern that his previous attempts to encourage social distancing were being ignored. After a weekend of public alarm at pictures of groups spending time in parks, on beaches and at markets, the prime…