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terça-feira, outubro 20, 2020
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Confeiteiros de Rio das Pedras se reinventam durante a pandemia

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Henrique Freire, com um de seus bolos feitos no curso de confeitaria – Foto: Arquivo Pessoal

A difícil tarefa de continuar a adoçar vidas diante de tantas amarguras deixadas pelo novo coronavírus. Essa é a realidade de muitos confeiteiros que trabalham dentro de favelas e comunidades. Eles precisam se reinventar para não deixar morrer seus sonhos de fazer um pedaço da festa que alegra a vida das pessoas através de um bolo que, além de chocolate, é recheado com muito afeto.

Durante a pandemia, Jacira da Silva, 61, que trabalha há 40 anos como boleira em Rio das Pedras, ficou com sua loja de doces e decoração de festas fechada por três meses. Segundo ela, ver seu empreendimento fechado a abalou muito pois sempre foi acostumada a trabalhar e fazer seus serviços. Jacira contou ainda que todos os bolos e decorações que estavam encomendadas entre março e junho foram canceladas.

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A volta por cima começou aos poucos com a ajuda de sua equipe, formada por filhas e netas. Elas começaram a montar pequenos kits de festas que poderiam ser retirados em sua loja. “Neste ano, depois de fevereiro, foi só em setembro que eu fechei a primeira festa pra fazer a decoração”, explica.

Jacira da Silva na cozinha de sua casa produzindo bolos. Foto: Arquivo Pessoal.

O jovem Henrique Freire descobriu sua paixão pela confeitaria dentro do quartel militar e há dois anos vende bolos dentro e fora da comunidade. É através da “Doce Capricho”,  sua loja virtual no Instagram, que Henrique divulga seu trabalho. Foi com o incentivo dos amigos que ele começou a fazer o curso de confeiteiro e a vender bolo de pote no quartel. “Hoje não sou mais militar e minha renda é apenas da confeitaria. Quero abrir uma fábrica futuramente, mas estou muito inseguro devido à queda nas vendas por conta da pandemia”, conta.

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Com o impacto da Covid-19, Henrique perdeu muitas vendas pois ficou assustado, sem saber o que fazer e sem sair de casa para nada. “Não vendi nada durante o pico da pandemia. Mas a confeitaria sendo meu novo trabalho, eu teria que recomeçar para ter dinheiro para sobreviver. Os boletos não ficam doentes”, desabafa.

Usando a criatividade e tentando alimentar a esperança, o boleiro criou novos sabores de bolos e novos produtos. Começou a direcionar suas vendas para clientes que ainda podiam comprar, tendo como principal clientela os amigos militares da Unidade da Força Aérea, onde trabalhou. “Os clientes estão na luta da sobrevivência, e nós empreendedores também. Todo dia é uma busca de força e esperança”.

Também com muita garra, a boleira Hosana Castro diz que teve que se reinventar na pandemia e começou a fazer tortas em pote para vender por Rio das Pedras. Sua loja on-line “Nana Doces Gourmet” existe desde setembro de 2019 e disponibiliza a linha gourmet de bolos e doces.

Com um filho de três anos e o marido desempregado, o sustento da família depende da venda dos bolos. Segundo Hosana, ela não poderia desistir mesmo sabendo de todos os riscos de sair de casa. Foi nessas saídas para trabalhar que Hosana percebeu o potencial de fazer kits festas. “Lancei os kits na loja on-line e foi um sucesso! Pedidos atrás de pedidos de kits pequenos feitos apenas para comemorações em família. No primeiro mês de lançamento, em abril, vendemos em média 35 bolos”, conta.

Hosana Castro após  aula no curso de confeitaria. Foto: Arquivo Pessoal.

O sucesso dos kits festas foi tanto que a boleira não conseguiu dar conta sozinha, já que além de fazer os bolos, também é responsável pelas entregas. Ela então decidiu contratar duas pessoas para ajudar nas entregas e não perder os clientes que estava conquistando. Segundo Hosana, esse “novo normal”, inexplicavelmente, a fez crescer. “Hoje, a “Nana” é composta por uma confeiteira e duas auxiliares. Graças a Deus nossas vendas não caíram. Pelo contrário, só aumentam! E hoje eu sou grata pelas coisas que a confeitaria está proporcionando em minha vida”, completa.

Esta matéria foi produzida com apoio do Fundo de Auxílio Emergencial ao Jornalismo do Google News Initiative.

Leia mais: Empreendedores da favela usam as redes sociais para driblar a crise

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