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sexta-feira, setembro 18, 2020
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Breve Miragem de Sol, primeiro filme de ficção exclusivo do Globoplay, estreia neste domingo

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Primeiro filme de ficção exclusivo Globoplay, ‘Breve Miragem de Sol’ estreia na plataforma neste domingo, dia 30 de agosto. Do diretor Eryk Rocha e com Fabricio Boliveira e Bárbara Colen no elenco, o longa é ambientado no Rio de Janeiro e retrata um Brasil contemporâneo através das trajetórias que se cruzam dentro de um táxi na capital carioca. 

 

No comando do volante está Paulo (Fabricio Boliveira), cuja saga é marcada por solidão e medo, busca pela sobrevivência e reinvenção. Vivendo à própria sorte e recentemente divorciado, ele começa a trabalhar como taxista em jornada noturna e se depara com todo o caos e frenesi das madrugadas cariocas. “Trabalhei diretamente pelas noites do Rio de Janeiro durante meses de preparação, com novos e antigos taxistas. Foi incrível estar nos grupos de whatsapp deles e encarar uma realidade cruel na cidade somada à solidão desses profissionais”, relembra Fabricio Boliveira.  Na esperança de voltar a conviver com seu filho, Mateus, Paulo encontra no novo trabalho a chance de um recomeço. Enquanto dirige, as histórias dos passageiros misturam-se às de sua vida, que ganha um novo fôlego com o embarque da enfermeira Karina (Bárbara Colen). 

 

No total, foram sete semanas de filmagem e aproximadamente uma equipe de 50 pessoas. A cidade do Rio de Janeiro é um personagem e toda sua pulsação está presenta no longa. “Fizemos um filme de ficção com um espírito muito documental, uma equipe muito pequena e sem grandes maquinários”, adianta o diretor Eryk Rocha. Bárbara Colen complementa: “Era um processo em constante mutação. Tudo estava em aberto, esperando ser transformado pelas circunstâncias reais que vivíamos na filmagem de cada cena.”

 

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Com estreia internacional no festival BFI de Londres (2019), a obra e o elenco foram premiados em renomados festivais nacionais e internacionais como o Festival Internacional de Cinema de Gotemburgo (2019, Suécia) e o Festival do Rio 2019, que rendeu a Fabricio Boliveira o prêmio de Melhor Ator. A obra é uma coprodução Aruac Filmes, Globo Filmes, VideoFilmes, Canal Brasil, Varsovia Films (Argentina) e Tu Vas Voir (França).

 

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Entrevista com o diretor Eryk Rocha

 

– Como surgiu a ideia de fazer o filme?

“Breve Miragem de Sol” é um filme que nasce da minha observação e escuta da cidade que cresci e vivi parte significativa da minha vida, o Rio de Janeiro. Dentro dessa cidade intensa, caótica e contraditória, os trabalhadores e habitantes que transitam pela noite da cidade, especialmente os taxistas, sempre me interessaram. Eles são os que ouvem e propagam as histórias, são testemunhas vivas do nosso tempo. ‘Breve Miragem de Sol’ propõe um cinema de rua, onde a ficção se abre ao documentário, ao imponderável da vida e da cidade. O filme tem algo do “diário de um trabalhador”, e todos os momentos do filme fazem parte da sua vida, do seu cotidiano.

 

– Como a linguagem artística contribui para traduzir esse momento da vida de Paulo?

“Breve Miragem de Sol” nasce também de encontros que foram fundamentais para a existência do filme. Encontros com outros criadores que já venho trabalhando há muitos anos. Por exemplo, o diretor de fotografia Miguel Vassy, que realizou um trabalho visceral e corajoso na criação da imagem do filme. Outra pessoa decisiva nesse processo foi o Renato Vallone, montador brilhante e muito talentoso com o qual tive o presente de trabalhar nos meus últimos filmes. Com Miguel e Renato, sempre conversamos muito sobre necessidade da fotografia e da montagem incorporarem os fluxos e a pulsação do próprio Paulo, os trajetos, os sobressaltos, os desvios, a solidão, as dificuldades, o caos…. Ou seja, jogar o espectador para dentro daquele taxi, fazê-lo virar o Paulo e vivenciar esse turbilhão de experiências de um homem que está em constante movimento, em embate com esse país-labirinto chamado Brasil. 

 

– Apesar de ter o recorte do Rio de Janeiro, é uma realidade de muitos brasileiros. Como o público vai se identificar com a história?

O filme expressa a complexa e convulsionada realidade brasileira atual por meio de um homem que sente solidão, medo, risco, cansaço, sobrevivência e busca pela reinvenção. Paulo é um narrador do nosso tempo, em movimento, imerso no caldeirão de uma metrópole latino-americana e de um país em transe. 

– Como a música está inserida no longa e como ajuda a contar essa história?

A música tem um papel essencial na narrativa e linguagem do filme, e vai permeando os estados de espírito e emoção do nosso protagonista. A trilha original foi feita por Ava Rocha, Negro Leo e Kiko Dinucci, três grandes e poderosos artistas da minha geração que admiro muito. Além da bela e forte música diegética que tem Caetano Veloso, Mart’nália, Letrux, Saskia e a maravilhosa música angolana do Deejay Telio. 

 

Entrevista com o ator Fabricio Boliveira

 

– Como você pode definir o Paulo?

Um brasileiro contemporâneo em transformação. Um homem de uma grande capital lidando com os aspectos do machismo, do racismo e tendo que dar conta das responsabilidades pessoais. Um homem driblando os estereótipos. 

 

– Como foi seu processo de preparação para viver o personagem? 

Trabalhei diretamente pelas noites do Rio de Janeiro durante meses de preparação, com novos e antigos taxistas. Foi incrível estar no grupos de whatsapp deles e encarar uma realidade cruel na cidade somada à solidão desses profissionais. Fiz bons amigos. 

 

– O que foi mais surpreendente e desafiador durante este trabalho?

Eryk Rocha me pediu uma interpretação que se somasse aos taxistas reais e não se destacasse tanto. Tive que ser muito minucioso nas relações com eles e deixá-los livres para, a partir daí, compor em cima das variações de energia que eram propostas também por eles. Um diálogo profundo entre realidade e ficção. Uma outra peculiaridade desafiadora era não conhecer os atores profissionais e “não atores “ que entravam no meu táxi. Era tudo improvisado em cima do roteiro. Eu recebia o endereço de onde tinha que buscá-los e de lá me encaminhava paro endereço que eles desejavam, como um taxista comum. 

 

Entrevista com a atriz Bárbara Colen

 

–     O que mais chamou sua atenção neste trabalho?

Para mim, acho que a coisa mais marcante neste trabalho foi a maneira como o Eryk, desde a preparação, nos conduziu por um processo híbrido entre ficção e documentário. Era uma história ficcional, sem dúvidas, tínhamos um ótimo roteiro em mãos, muito trabalhado e pensado. Porém, desde o meu primeiro teste, já senti um interesse muito grande do Eryk pela minha história pessoal, pela maneira como eu, Bárbara, poderia conduzir a construção da Karina. Isso me possibilitou uma abertura para trazer histórias de minha vida, por exemplo, da minha avó, que era também enfermeira. 

 

–     Como você pode definir a Karina?

A Karina é uma mulher brasileira. Uma profissional da saúde que dedica sua vida à sua profissão. E dedica não só o seu tempo, quanto seu amor e cuidado ao tratamento das pessoas. É uma mulher consciente, pragmática, que não se ilude em relação à vida, mas que, tampouco, se aliena na rotina massacrante, pois está consciente do que acontece a sua volta. Tem uma visão crítica das condições políticas e sociais da cidade e do seu país, do seu tempo, das dificuldades que enfrenta no dia a dia do hospital. Mas é alguém que tem desejo pela vida. Quer se sentir bem, busca momentos de fuga, de pequenas alegrias, de alguma leveza. E é também uma mulher que tem consciência sobre a sua condição de mulher. Tem dúvidas em relação à maternidade, e para quem seu trabalho e independência são questões prioritárias na vida. 

 

–     Como foi seu processo de preparação para viver a personagem? 

Foi um processo longo, de aproximadamente 3 meses. Tive um mês de preparação no Rio. Então, me mudei para o Rio e durante toda a preparação morei realmente na Zona Norte, porque era onde a personagem vivia e trabalhava. Fiz diversas visitas a hospitais para entender na prática como era a dinâmica dos plantões nos pronto-socorros. E com essas visitas ia coletando informações, sensações, elementos que trazia para os encontros que tinha com Eryk e Fabrício. A partir daí, discutíamos as cenas e adaptávamos pontos do roteiro relacionados com as novas experiências. 

 

Sobre o Globoplay

O Globoplay é a maior plataforma brasileira de streaming, com oferta de conteúdo gratuito e exclusivo para assinantes. Com mais de 840 títulos publicados em 2019 e cerca de 100 milhões de horas de consumo por mês, o serviço reúne conteúdos originais Globo e do mercado audiovisual independente, filmes e séries internacionais renomadas, dentre elas produções exclusivas, que só serão exibidas online. Tudo junto, na mais completa e variada oferta de conteúdo para que o público acesse a qualquer momento e de onde estiver o que está no ar, o que já foi ao ar e o que ainda será exibido.

Comunicação Globo

Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2020

Mais informações
www.redeglobo.com.br

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