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sábado, outubro 31, 2020
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LGBTI+ representam apenas 0,1% do total de candidatos aos cargos de prefeito e vereador

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encerrou no final de setembro o prazo para pedidos de registro de candidatura para as eleições municipais de 2020, previstas para 15 e 29 de novembro deste ano. Ao todo, 532.871 pessoas se candidataram aos cargos de prefeito/a e vereador/a nos mais de cinco mil municípios brasileiros. Desse total, apenas 585, ou 0,1% do total, são candidatos/as da comunidade LGBTI+. 

O levantamento é do Programa Voto com Orgulho, da Aliança Nacional LGBTI+, uma organização da sociedade civil, pluripartidária e sem fins lucrativos. Do total de pessoas candidatas da comunidade aos cargos públicos neste ano, 46,8% (274) de gays; 12,6% (74) são lésbicas; 11,6% (69) são mulheres trans; 4,8% (28) são bissexuais masculinos; e o restante das demais identidades de gênero e orientações sexuais. Para o posto de vereador/a, são 569 concorrentes e para prefeito/a, 15.

Para o coordenador do Programa Voto com Orgulho e diretor de Políticas Públicas da Aliança Nacional LGBTI+, Cláudio Nascimento, o grande desafio é transformar as candidaturas da comunidade em resultado positivo no pleito deste ano. “O resultado é o desafio para garantir que consigamos, além da representatividade no processo eleitoral, obter representatividade no número de pessoas eleitas. Isso encontramos um pouco mais de dificuldade porque tem a ver com a questão de estrutura e recursos nos próprios partidos. Mesmo os mais progressistas, que em geral tem uma postura mais aberta para debate para diversidade LGBT, você encontra dificuldade para financiamento e apoio a essas candidaturas”, diz. 

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Por outro lado, Nascimento chama atenção para o avanço da consciência da comunidade LGBTI+ diante da importância do voto e de investir em candidaturas da comunidade ou aliadas da causa. “É muito interessante a participação nesse ano de um grande número de candidatos LGBTI+, especialmente de candidatas trans. Temos quase um terço de candidatas trans e isso é um dado positivo, levando em consideração que homens e mulheres trans são alvos muito perseguidos por setores conservadores e fundamentalistas”, completa. 

Entre os estados, São Paulo é a unidade da Federação que tem o maior número de candidaturas LGBTI+ (142), seguido por Rio de Janeiro (62), Bahia (58), Minas Gerais (53), Paraná (43) e Rio Grande do Sul (40). Os estados que menos registraram candidaturas da comunidade são o Piauí (3), Tocantins (2) e Amapá (1). 

“Minha candidatura nasce pensando em um novo formato de política pública”

Uma das mulheres trans que registrou candidatura no TSE é Gilmara Cunha, candidata do PT ao cargo de vereadora pelo Rio de Janeiro. Moradora de uma favela, Gilmara conta que a candidatura dela surgiu da proposta de dar voz à comunidade LGBTI+, negros e pobres dentro do espaço de poder.

“Minha candidatura nasce pensando em um novo formato de política pública que chegue de fato na base e comece a construir uma cidade íntegra, não uma cidade partida e excludente. A gente quer da favela para o asfalto e não do asfalto para a favela. Muitos candidatos nos procuram nas eleições e pedem voto. Quando vai para esse espaço, não é para nós que vai legislar, e sim, para uma classe média que já vive de privilégio”, diz. 

Gilmara vê com bons olhos o número de candidatas trans no pleito de 2020, mas faz uma ressalva. “Por que essas trans não são a maioria para pleitear esses espaços? Porque elas não se sentem parte dessa constituição. A população de travestis e transexuais é excluída desde quando nasce. Esse corpo já marcado pela violência e opressão. Acredito que não é uma questão de maioria de representatividade, é uma questão de necessidade. Nós precisamos estar nesse lugar de decisão. A transformação do Brasil vai se dar através de mulheres negras, pobre, faveladas e trans”, pontua.  

LGBTfobia 

Em Goiânia, o policial rodoviário federal, Fabrício Rosa, é candidato a vereador na cidade e atua no RENOSP, a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI+. A rede atua na LGBTfobia dentro das instituições de segurança pública.

Candidato nas eleições pela terceira vez, Fabrício ressalta a importância da ocupação da LGBTI+ em espaços de poder, em especial dentro do Parlamento brasileiro. “Se existe um grupo que é sub-representado, é a nossa comunidade da diversidade. É muito importante que a gente assuma esses lugares de poder. Não é possível que a gente perpetue a democracia do capital, a democracia do dinheiro, onde os mesmos homens brancos, cis e héteros fiquem no poder. Precisamos ocupar todos os lugares, especialmente no Parlamento, federal, estadual e neste ano, municipais. Coloque um LGBTI+ no poder. Vote contra a homofobia”, ressalta. 


 

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Reportagem:

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

Produção:

Lincoln Freitas é jornalista desde 2008. Atuou como produtor, editor e repórter, na área de Comunicação Social, na Record TV, SBT, TV Justiça e TV Senado. Trabalhou como assessor de imprensa e repórter setorista no Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Tribunal Superior Eleitoral. É especialista em planejamento e produção de reportagens para TV, rádio, Impresso e mídias digitais.

Com menos de um ano de formação em jornalismo, Flávio Macêdo faz parte da produção de reportagem do Brasil 61 desde janeiro de 2020. Antes disso, teve passagem como freelancer pelo SBT Brasília, Prezz Comunicação e fez estágio na redação da TV Band, em Brasília.

Edição:

Jornalista formada há 15 anos e pós-graduada em ciências políticas, com experiência em redação, rádio, televisão e assessoria de imprensa. Antes de ingressar na redação do Brasil 61, passou por importantes órgãos, como Ministério da Saúde e Ministério da Justiça além de grandes emissoras como, TV Bandeirantes, Record e TV Globo. Possui experiência em gerenciamento de crise, jornalismo web, redação, edição e revisão de textos, produção de conteúdo de rádio, televisão e assessoria de comunicação.

Edição de áudio:

Fabrício é audiodesigner e atua no mercado jornalístico e publicitário há alguns anos na elaboração de conteúdos. Sua marca de trabalho é a produção com agilidade e qualidade, uma vez que possui audição apurada que o mantém crítico às seus conteúdos. Prestes a completar o curso de fonoaudiologia, tem trabalhado cada vez mais no sentido de dirigir profissionais da voz a alcançar maior qualidade vocal e aplicação de técnicas para locuções que necessitem de emoção.


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