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terça-feira, setembro 22, 2020
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“Não deixaremos que escapem”, diz ativista sobre agentes cúmplices da morte de Floyd

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Thomas Lane, um dos ex-policiais acusados de participação no assassinato de George Floyd, aguarda seu julgamento em liberdade após pagar uma fiança no valor de US$ 750 mil, o equivalente a R$ 3,7 milhões, na última quarta-feira (10).  

Assim como os outros dois agentes presentes na abordagem policial, Tou Thao e J. Alexander Kueng, Lane foi indiciado como cúmplice do crime. Inertes, eles acompanharam o momento em que o policial Derek Chauvin asfixiou o homem negro de 46 anos com o joelho até a morte e nada fizeram para impedir o ato. 

Os fundos para pagar a fiança milionária foram arrecadados por meio de uma campanha online, retirada do ar assim que ele foi libertado. Com fotos de Lane em serviço, o texto do site afirmava que o agente fez “tudo o que pôde para salvar a vida de George Floyd“.  

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A notícia de que Lane estava em liberdade repercutiu internacionalmente e inflamou reivindicações por Justiça para o caso nas redes sociais, assim como manifestações contra a histórica impunidade policial nos Estados Unidos. 

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Em entrevista ao Brasil de Fato, Nino Brown, ativista da coalizão Answer, siglas para Act Now to Stop War and End Racism (Agir agora para parar a guerra e acabar com racismo, em português) afirma que o policial estar em liberdade neste momento é algo “absolutamente desprezível”. 

“Ele poderia ter intervido em defesa da vida de Floyd, mas não o fez. Em vez disso, ele manteve sua cumplicidade e até ajudou a segurar os pés de George no momento em que lutava pela sua vida, enquanto o oficial Chauvin espremia o ar para fora do corpo de Floyd”, denuncia Brown.  

:: Morte de homem negro asfixiado por policiais nos EUA gera indignação internacional ::

Segundo o jornal The New York Times, o advogado de Lane argumentou em audiência na semana passada que o então oficial, “era um novato que apenas obedeceu a Chauvin.” “O que meu cliente deveria fazer senão seguir as ordens de seu oficial de treinamento?”, disse. “Ele fez tudo o que achava que deveria fazer”, disse.

Ele poderia ter intervido em defesa da vida de Floyd, mas não o fez

Para o ativista estadunidense, o argumento é insustentável e pode ser refutado com as imagens que registraram o crime.

“Isto é uma grande mentira. Lane segurou as pernas de um homem lutando para respirar, chamando por sua mãe morta, enquanto isto estava sendo filmado e denunciado por pessoas na rua. Lane não fez ‘tudo o que podia’ para salvar Floyd, ele fez tudo o que podia para garantir sua morte. A polícia deste país funciona como uma gangue do Estado”, critica Brown.

O vídeo em questão mostra Lane e Kueng ajudando Chauvin a manter o homem negro prensado ao chão, mesmo estando completamente em posição de rendição. Durante mais de 8 min de ação, os policiais ignoraram os avisos de Floyd, que disse constantemente que não conseguia respirar, assim como não atenderam os pedidos de testemunhas que gravavam a abordagem abusiva. 

Segundo o ativista da coalização Answer, o racismo estrutural da sociedade americana está por trás do apoio financeiro aos familiares de Lane para que a fiança milionária fosse paga. 

Ele explica que nos Estados Unidos as forças policiais ganham legitimidade através de um enorme aparato de “copaganda” (termo para propaganda policial, em inglês), que inocula a a ideia de que a polícia existe apenas para garantir a segurança e combater o crime. 

“Esta imagem do policial glorificado é uma forma de fazer lavagem cerebral nas pessoas para que elas acreditem que a polícia é a verdadeira vítima e assim mereçam o nosso apoio. As pessoas lhe deram dinheiro porque sofreram lavagem cerebral pela supremacia branca e pela propaganda policial do Estado”, analisa Brown.  

O ativista aponta ainda que a ajuda financeira a um policial em um caso tão explícito de violência não é novidade no país. O mesmo aconteceu após o assassinato de Michael Brown, em 2014, episódio que gerou uma onda de protestos antirracistas conhecida como revolta de Ferguson

Isto não é diferente do início do século 20, quando os brancos linchavam os negros

O jovem negro de 18 anos foi alvejado por seis tiros pelo policial Darren Wilson, que, conforme conta Brown, conseguiu arrecadar US$ 500 mil para pagar a fiança. A campanha contou, inclusive, com a venda de camisetas e outras mercadorias. 

“Isto não é diferente do início do século 20, quando os brancos linchavam os negros e depois faziam cartões postais com cadáveres de negros para enviar às suas famílias.  Não é diferente de quando os brancos faziam piqueniques comunitários e familiares ao lado da esteira de linchamento dos negros, transformando nossa morte em um espetáculo”, comenta o ativista. 

Nino Brown diz ainda que a polícia estadunidense consome grande parte dos orçamentos públicos das cidades e que oficiais da própria instituição podem ter levantado os fundos para pagar a fiança de Lane. 

“Mais uma vez, a polícia opera como uma gangue de assalto irresponsável, não apenas em uma cidade, mas em todo este país. Todos compartilham a mesma mentalidade e ideologia de ‘lei e ordem’, respondendo assobios de brancos supremacistas que indicam que a polícia é um amortecedor contra as ‘classes indisciplinadas’, ou seja, contra as pessoas negras e outras populações não brancas”.

A morte de Floyd gerou indignação internacional e impulsionou uma série de protestos antirracistas ao redor do mundo, que duraram por diversos dias consecutivos. Apenas nos Estados Unidos, mais de mil cidades americanas registraram manifestações contra a violência policial. 

Em liberdade, Lane ainda terá uma audiência com um juiz em 29 de junho. Os demais agentes continuam detidos. 

Nós não deixaremos que escapem.

Na opinião de Brown, o único motivo pelo qual os policiais foram indiciados “é porque as massas se rebelaram nas ruas, marcharam em dezenas de milhares, destruíram delegacias e iniciaram um foco de luta internacional.” 

Para ele, os protestos populares e a organização do movimento negro deverá continuar para que de fato haja Justiça para George Floyd. 

“Os policiais podem tentar escapar da Justiça, mas nós não deixaremos que escapem. Precisamos continuar os denunciando e cobrando que sejam processados no mais alto grau da lei.” 

Derek Chauvin, o oficial que pressionou o joelho contra o pescoço de Floyd, foi acusado por homicídio de segundo grau, o equivalente ao homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Ele aguarda julgamento em uma prisão de segurança máxima, com uma fiança estabelecida pela Justiça de US$ 1,25 milhão.

Edição: Rodrigo Chagas


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