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domingo, setembro 27, 2020
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Devemos doar para reconstruir o país, defende representante de pequenos agricultores

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“A solidariedade não é só a doação de alimento, mas sim a doação para a reconstrução deste país, para salvar vidas da miséria, da desinformação, do vírus, da fome e lutar para que todos e todas tenham seus direitos garantidos”. A declaração foi feita em entrevista concedida ao Brasil de Fato Ceará por Josineide Costa, membro da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), da Consulta Popular e da Coordenação Nordeste da Campanha Periferia Viva.

No bate-papo, Josineide aborda como os camponeses ligados ao MPA estão em isolamento durante a pandemia de covid-19, mas seguindo com a produção de alimentos, essencial para o país neste momento, além de doar uma parte dessa produção para pessoas e comunidades afetadas pela pandemia nas cidades. Confira a entrevista completa.

:: Coronavírus e os camponeses: existe possibilidade de crise alimentar? ::

Brasil de Fato Ceará: Quais as principais ações de solidariedade que o MPA tem desenvolvido nesse período da pandemia de coronavírus?

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Josineide Costa: A solidariedade é o pilar central da construção da revolução. É quando o povo tem a sensibilidade humana com o próximo e compartilha, divide aquilo que tem com os que estão precisando. Para nós, como camponeses e camponesas, é uma das formas de compartilhar o alimento que produzimos.

E fazendo a práxis, o MPA neste período de pandemia lança a Campanha Mutirão Contra a Fome. Através dela, exercemos a solidariedade entre o campo e a cidade. Primeiro, a colaboração com os camponeses e camponesas, comprando a produção deles; e segundo, fazendo a doação desses alimentos para os trabalhadores e trabalhadoras da cidade que estão em vulnerabilidade alimentar.

Já foram doados mais de 500 toneladas de alimentos nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Norte do país. Na área da saúde temos as orientações para a higienização, uso de máscaras, cuidados com a saúde com o uso das ervas medicinais para fortalecimento da imunidade e a campanha para ficar em casa quem puder, que continuamos produzindo seu alimento.

O isolamento social do camponês e da camponesa proporciona ainda mais o cuidado uns com os outros e a tarefa da produção permanece muito forte, devemos produzir alimentos ainda mais. Através das rádios comunitárias, estamos fazendo diálogo com a sociedade, fazendo lives, escrevendo artigos. Fazendo mutirões para o cadastramentos das pessoas no auxílio emergencial. E mantendo o diálogo com a base, pois mais do que nunca precisamos nos fortalecer e não podemos perder ninguém.  

:: Reduzir auxílio para R$ 200 é burrice do ponto de vista econômico, analisa economista ::

A cooperação entre o campo e a cidade é uma ideia e uma prática do MPA. A necessidade dessa aliança se intensifica na pandemia?

Reafirma mais ainda a necessidade da unidade entre o campo e a cidade. Em 2015 fizemos o nosso primeiro congresso nacional com essa temática da aliança camponesa e operária. E neste período essa unidade tem se fortalecido mais. O projeto de vida, a mensagem do MPA é produzir alimento saudável para a alimentar o povo brasileiro, e sim, estamos alimentando o povo e fortalecendo o campesinato.

A solidariedade no campo e na cidade tem sido feita através de várias iniciativas, e uma das que temos nos dedicado a fortalecer e espalhar por todo Brasil é a Campanha Periferia Viva, que está sendo feita pelos movimentos do campo popular, na construção do projeto popular para o Brasil; também estamos organizando comitês nos bairros, para fazer o trabalho de base com os companheiros da periferia, da universidade, petroleiros, metalúrgicos e somando junto aos trabalhos das igrejas.

A solidariedade não é só a doação de alimento, mas sim a doação para a reconstrução deste país, para salvar vidas da miséria, da desinformação, do vírus, da fome e lutar para que todos e todas tenham seus direitos garantidos.

:: Rede Periferia Viva distribui alimentos em comunidades de João Pessoa ::

Vocês têm percebido o aumento da violência no campo no último período? Existem lugares no Brasil onde ela está mais localizada?

O aumento da violência no campo se dá de várias formas, na maioria de forma silenciosa. A violência contra as mulheres, que vai para além da violência doméstica, a violência contra o meio ambiente, a violência contra indígenas, quilombolas, camponeses, o povo que cuida da terra, das águas e da floresta. A desapropriação de terras ocupadas por trabalhadores e trabalhadoras, onde muitos desses perdem suas vidas. O que temos acompanhado é que a violência no campesinato brasileiro se dá de forma mais perversa na região Norte do país.


                

O MPA integra a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que tem alertado sobre a necessidade de se manter na escola e a qualidade da merenda escolar. Quais as propostas da campanha e do movimento?

Primeiro de tudo, somos contra o modelo de educação que o Estado está implementando no período da pandemia. Uma grande parcela da população não tem o mínimo de condições que precisa para assistir a uma aula virtual, além da péssima qualidade que será esse tipo de ensino. No campo nem internet temos, na maioria das comunidades, e isso está fazendo muitos estudantes perderem o ano letivo. Esse modelo de educação o Estado já vinha tentando implementar, e agora com a pandemia usaram conforme seu desejo. Quanto à merenda escola, está na lei n° 11.947/2009 do PNAE, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que garante 30% da agricultura familiar e camponesa, garantindo alimentação de qualidade para os estudantes, que em muitos casos é a única alimentação de qualidade que eles comem durante o dia. Neste período de pandemia, exigimos que a merenda escolar seja distribuída às famílias em situação de vulnerabilidade alimentar, sendo assim um alimento que possa saciar a fome de muitos e muitas.

Recentemente, o MPA emitiu uma nota defendendo a queda do presidente Jair Bolsonaro. O “Fora Bolsonaro” é a palavra de ordem central neste momento?

Neste momento deve ser, sim, a palavra de ordem da esquerda brasileira. Não podemos mais aceitar o desgoverno que está no país, a destruição que vivendo todos os dias, Bolsonaro é um verdadeiro genocida. Juntos também assinamos o impeachment para a saída de Bolsonaro do Congresso Nacional, com os partidos de esquerda e movimentos sociais e sindicais. O governo abandonou os cuidados com a população durante a pandemia agindo de forma totalmente irresponsável com a vida do povo, para ele a importância é salvar a economia e não as vidas.  A reprovação do governo Bolsonaro já passa de 50% da população e nossa tarefa é fazer o trabalho para que o povo compreenda ainda mais o que significa este governo.

Fonte: BdF Ceará

Edição: Vanessa Gonzaga e Vivian Fernandes


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