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domingo, maio 31, 2020

Bolsonaro volta a minimizar mortes por coronavírus: “É natural, é a vida”

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Após a divulgação da gravação de uma reunião ministerial do dia 22 de abril em que o presidente admite a intenção de interferir na autonomia da Polícia Federal, Jair Bolsonaro (sem partido) discursou por quase uma hora na saída do Palácio do Planalto.

::Leia também: Em reunião, Bolsonaro confessa interferência na PF e intenção de “proteger a família”::

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Durante a fala informal, ele tratou como “naturais” as mortes causadas pela pandemia do novo coronavírus no Brasil e negou a responsabilidade do governo federal sobre medidas preventivas com frases como “o estado não pode zelar por todo mundo”.

“Lamento as mortes, mas é a realidade. Todo mundo vai morrer aqui. Não vai sobrar nenhum aqui. (…) E se morrer no meio do campo, urubu vai comer ainda.”

“Pra que levar o terror junto ao povo? Todo mundo vai morrer. Quem tiver uma idade avançada e for fraco, se contrair o vírus, vai ter dificuldade. Quem tem doenças, comorbidades, também vai ter dificuldades. Esse pessoal que tem que ser isolado pela família, o Estado não tem como zelar por todo mundo, não”, disse, em outro trecho..

O presidente voltou a repetir termos como “gripezinha” e “neurose” e pediu que a população “encare o vírus como uma realidade”.

“Ninguém está zombando com mortes não. É a realidade. Agora pouco ligou um colega do Rio de Janeiro: ‘minha mãe acabou de falecer’. É a nossa vida. Daqui a pouco é natural, né, a minha mãe de 93 anos vai embora. É a vida. É a vida, porra. Não façam teatro em cima disso.”

::Mais de 80% dos leitos de UTI estão ocupados nos 5 estados com mais casos da covid-19::

Segundo o presidente, governadores e prefeitos que adotaram o isolamento social para evitar o crescimento rápido dos contágios “têm que ter coragem de voltar atrás”. Ele disse que são “raros os lugares no país” onde há falta de respiradores ou leitos de UTI: “os que tão morrendo, não há como evitar a morte deles”.

Bolsonaro citou ainda um suposto estudo francês que teria constatado que 86% dos contágios ocorrem dentro de casa como um argumento para permitir que as pessoas saiam de casa para trabalhar. Ele disse conhecer pequenas residências de periferia compartilhadas por muitas pessoas: “Se você obriga todo mundo a ficar em casa, um só contaminado contamina a mais sete” 

Para o militar, deve ser considerada atividade essencial “toda aquela necessária para levar um prato de comida para sua casa”. “Quem tem dinheiro, fique em casa”, completou.

Cloroquina: “temos que tentar”

Sobre sua insistência em impor a cloroquina como uma recomendação do Ministério da Saúde, Bolsonaro admitiu que não há comprovação científica de eficácia, mas disse que “temos que tentar”. Ele citou um exemplo de guerra em que soldados teriam injetado água de côco em colegas para tentar salvar suas vidas.

“É a mesma coisa a cloroquina, quem não quiser, que não tome, mas não enche o saco de quem quer tomar. Tome o que quiser. Aí ficam uns idiotas: ‘Ah, não tem comprovação científica’. Eu sei que não tem”.

Ao final do discurso, em que repetiu histórias sobre seu governo e sua família de declarações anteriores e voltou a negar a tentativa de interferência na PF, o presidente foi embora, deixando questionamentos de jornalistas sem resposta.

Edição: Rodrigo Chagas


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