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segunda-feira, 25 de março de 2019 3:5040

Após 69 anos, tradicional Hotel Novo Mundo, no Rio, fechará as portas

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Com uma vista privilegiada de cartões-postais do Rio de Janeiro, como a Baía de Guanabara , Pão de Açúcar e Corcovado, o tradicional Hotel Novo Mundo vai fechar as portas no próximo dia 20. Há informações de que dívidas provocaram a venda do imóvel que será transformado em condomínio residencial. Na Praia do Flamengo, número 20, o hotel tem como vista a calçada do Aterro do Flamengo que, aos domingos, vira área de lazer ao ar livre.

O Novo Mundo tem 227 apartamentos divididos em seis categorias, equipados com TV a cabo com canais internacionais, rede wi-fi e cofre eletrônico, entre outros equipamentos. Construído no final da década de 1940 pelo banqueiro e dono de imobiliária Gumercindo Nobre Fernandes, a pedido do presidente Eurico Gaspar Dutra, o prédio se destinava a hospedar jornalistas e turistas estrangeiros n a Copa do Mundo de 1950.

Próximo ao Hotel Novo Mundo, está situado o Hotel Glória, comprado pelo empresário Eike Batista e sem manutenção. Vizinho ao Novo Mundo, há o prédio da TV Manchete, fechado por anos e agora abriga instalações de uma universidade, além do Teatro Manchete.

História

Para o historiador Milton Teixeira, o hotel é mais um bem cultural da cidade que vai ter seu destino profundamente alterado. Ele recorda passagens irônicas que marcam o hotel desde sua fundação em 1947 à inauguração em 1950 até a escolha do empresário responsável pela construção do edifício. 

Apesar de proibir os jogos de azar no Brasil e fechar os cassinos no dia 30 de abril de 1946, o presidente Gaspar Dutra pediu a Gumercindo Nobre Fernandes, que levantasse o prédio ao lado do Palácio do Catete, hoje Museu da República. “O nome banqueiro do jogo do bicho surgiu por causa dele [Gumercindo]”, disse o historiador, lembrando que o empresário era conhecido como bicheiro na época.

Teixeira disse que depois da Copa de 1950, o Hotel Novo Mundo passou a ser residência provisória de presidentes da República, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek de Oliveira e Luiz Inácio Lula da Silva.

Curiosidades

Os times de futebol do Santos, com destaque para Pelé, e do Vasco costumavam se hospedar no Hotel Novo Mundo por estar em um local estratégico, a poucos minutos do Estádio do Maracanã e do Aeroporto Santos Dumont. “Ali era, mais ou menos, o centro de treinamento do Vasco, na época em que o Vasco ficava no Flamengo”, brincou Teixeira.

Segundo Milton Teixeira, da mansão original que deu lugar ao hotel, na Rua do Príncipe, hoje Rua Silveira Martins, restaram dois dos quatro leões de bronze que ficavam na entrada do Hotel Novo Mundo. Os leões foram esculpidos pelo artista animalista Henri M. Alfred Jacquemart, conhecido por monumentos em Paris (França).

Segundo o historiador, a direção do hotel inovou ao promover ceias de Natal e festas de réveillon para pessoas solitárias.

Contrapartida

Para o presidente da Associação da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, o fechamento do Hotel Novo Mundo representa a perda de muitos postos de trabalho. Mais de 100 pessoas trabalham no hotel. Lopes atribuiu o encerramento das atividades do Novo Mundo à falta de contrapartida para promover eventos na cidade.

“A verdade é que, a partir da Olimpíada [Rio 2016], quando nós quase dobramos a oferta, era de se esperar que houvesse a contrapartida dos governos no sentido de fazer promoções, campanhas para divulgar a cidade e nada disso aconteceu. Você dobrou a oferta, sem gerar uma demanda para isso. O que ocorre é a concorrência de prédios mais novos em outros locais da cidade. Começaram a se criar novos destinos, como a Barra da Tijuca, com 10,5 mil novos quartos. Tudo isso afeta os hotéis já instalados”, disse Lopes. 

O presidente da ABIH-RJ lembrou que o Novo Mundo é o 13º hotel fechado na capital a partir da Olimpíada. Segundo ele, o Hotel Novo Mundo foi vendido para ser submetido a um retrofit (termo utilizado em engenharia para designar o processo de modernização de algum equipamento já considerado ultrapassado ou fora de norma) para virar um prédio residencial.

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