Bibi estudava para ser concertista, mas, levada pelo pai, não resistiu ao apelo do palco - Divulgação TV Brasil
Bibi estudava para ser concertista, mas, levada pelo pai, não resistiu ao apelo do palco - Divulgação TV Brasil

A filha da atriz e cantora Bibi Ferreira, Teresa Cristina, afirmou hoje (13) que sua mãe “viveu como queria” e “teve uma vida muito boa”. Bibi morreu de infarto, em casa, na manhã desta quarta-feira, aos 96 anos. O corpo de Bibi será velado no Theatro Municipal, onde ela foi diretora de dramaturgia, quando existia essa área no equipamento, além de ópera e balé.

Mais conhecida como Tina Ferreira, a filha de Bibi lembrou que a mãe ia ser concertista. “Estudava para isso”; mas, quando o pai, o também ator Procópio Ferreira, a chamou para fazer o papel de Mirandolina, no Teatro Serrador, ela decidiu ser atriz. “A carreira dela começou a fluir”,afirmou Tina, em entrevista coletiva.

Tina contou que Bibi, apesar de ter sido casada oito vezes, tinha como grande amor o público que a prestigiava nos espetáculos em que se apresentava. “Ela sempre falou isso: Eu vivo para o meu público. Eles são o grande amor da minha vida. E que fiquem na lembrança deles, ela dizia, os trabalhos que eu fiz. O que eu pude dar, eu dei, de melhor”. Tina destacou outra frase que a mãe sempre repetia: “No palco, é o momento em que eu não sou atingida por nada. É o momento em que me encontro com Deus”.

As mensagens sobre Bibi, enviadas por vários colegas de trabalho, foram recebidas pela família como um grande alento. “Ela era muito querida”, observou Tina Ferreira.

Amiga

Segundo Tina, Bibi amanheceu bem, tomou o café da manhã e depois se queixou de falta de ar. Medida a pressão, verificou-se que a pulsação estava fraca. Imediatamente, a família chamou o Pró Cardíaco. “Eles vieram muito rápido mas, quando chegaram, ela já tinha partido.”

O empresário de Bibi, Nilson Raman, disse que a atriz era uma amiga de longa data. “Era uma mulher simples, generosa, amiga. Era uma mulher que, quando entrava no teatro, não saía sem se despedir de todo mundo, para agradecer por aquele dia de trabalho, fosse a camareira, fosse o diretor. Ela sempre falava para mim que, para quem faz teatro, todo mundo é importante. Se não abrir a cortina, não tem show”.

Tina lembrou que sua mãe sempre falava que, para representar bem algum personagem, era preciso observar a vida e as pessoas. “É a melhor escola”. De acordo com Tina, nem os médicos entendiam como Bibi conservava a voz, apesar da idade avançada. “É um fenômeno da natureza”, diziam os médicos. Bibi atuou nos palcos até os 95 anos de idade. Em setembro do ano passado, divulgou nota, na qual comunicava que se afastava da vida pública.

Como diretora, Bibi Ferreira era amiga, mas severa, afirmou Tina.

Grande dama

Em nota divulgada à imprensa, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, lamentou a morte da grande dama do teatro, Bibi Ferreira.

“O teatro brasileiro perdeu hoje sua grande dama. Bibi Ferreira praticamente nasceu no palco e se tornou a referência maior de uma profissão que ela, como ninguém, honrou ao longo de nove décadas. Atriz, cantora, diretora, Bibi criou sua própria companhia teatral e formou talentos que também marcaram a dramaturgia brasileira. Agora, Bibi será lembrada por sua inesgotável paixão pelo ofício de representar, o que fez até recentemente”, diz o texto.

Crivella diz ainda que pedirá a Deus que conforte a família e os admiradores da atriz, e conclui: “a estrela maior brilha no céu da cultura nacional”.