O general Villas Bôas, que passou o Comando do Exército ao general Edson Pujol - Valter Campanato/Agência Brasil
O general Villas Bôas, que passou o Comando do Exército ao general Edson Pujol - Valter Campanato/Agência Brasil

Ao se despedir do Exército, nesta sexta-feira (11), o general Eduardo Villas Bôas afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência trouxe uma “liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar” no país.


“O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar, embotaram o discernimento e induziram a um pensamento único e nefasto”, disse, dirigindo-se ao presidente, presente à solenidade.


Segundo Villas Bôas, Bolsonaro fez com que despertasse no país um sentimento patriótico “há muito tempo adormecido”.


Referindo-se ao presidente, ao ministro Sergio Moro (Justiça) e ao general Braga Netto, que conduziu a intervenção federal no Rio, Villas Bôas afirmou que “três personalidades se destacaram para que o ‘rio da História’ voltasse ao seu curso normal. O Brasil muito lhes deve”. Para ele, “todos demonstraram que nenhum problema no Brasil é insolúvel”.


Moro, ex-magistrado que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi, em sua visão, “protagonista da cruzada contra a corrupção ora em curso”.


No ano passado, às vésperas do julgamento do petista no STF (Supremo Tribunal Federal), o general afirmou que repudia a impunidade. A frase foi criticada por ter sido interpretada como uma pressão sobre a corte.


Com uma doença degenerativa, Villas Bôas delegou ao mestre de cerimônias a leitura de seu pronunciamento. O agora ex-comandante deu algumas palavras ele próprio ao início e ao final da cerimônia, realizada no Clube do Exército, em Brasília.


Emocionado, teve suas lágrimas enxugadas por um auxiliar. Bolsonaro o abraçou mais de uma vez. A primeira-dama, Michelle, sentada ao lado de Cida, mulher do ex-comandante, ambas fora do palco, cumprimentou-o depois do encerramento.


Ainda em seu discurso, Villas Bôas disse que enfrentou no período de seu comando “descontinuidade dos repasses orçamentários” e agradeceu os ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), responsáveis por sua permanência no posto.


“Um Exército democrático, apartidário e inteiramente dedicado ao serviço da nação, que desenvolve as sua estabilidade em ambiente respeitoso, humano e fraterno”, disse.


Único a discursar na cerimônia além de Villas Bôas, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, elogiou a capacidade do ex-comandante de conter ímpetos antidemocráticos entre militares.
“O general Villas Bôas é reconhecido pelo seu carisma de líder equilibrado, mas grandes feitos não podem ser medidos por olhos rasos”, discursou Azevedo.


“A maior entrega deste comandante é o que ele conseguiu evitar. Foram tempos que colocaram à prova a postura do Exército como organismo de Estado, isento da política e obediente ao regramento democrático”, afirmou o ministro.


“Bandeira esta [que serviu] como parceria do cotidiano militar e induziu a disciplina consciente como modelo de comportamento”, prosseguiu Azevedo. Villas Bôas, ele concluiu, “fez do Exército solução, não parte do problema”.


O general Edson Leal Pujol assumiu o comando do Exército depois de quatro anos da gestão de Villas Bôas, que passou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e uma crise política e econômica severa.


Uma intervenção militar foi aventada por membros do Exército como o general Hamilton Mourão (PRTB), que se tornou vice de Bolsonaro.


Mourão estava no palco ao lado de Bolsonaro, acompanhado de membros do primeiro escalão do governo como o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e Onyx Lorenzoni, da Casa Civil.