A primeira-ministra Theresa May realizou uma recepção na Downing Street para a MS Society e reconheceu o trabalho duro que acontecia na comunidade de esclerose múltipla.© MoD/Crown Copyright

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, enfrentará nesta quarta-feira (12) um voto de desconfiança de seus próprios correligionários do Partido Conservador, em nova reviravolta da barroca trama que gira em torno da separação britânica da União Europeia (UE), o “brexit”.

A imprensa local noticia que ao menos 48 parlamentares da legenda submeteram a um comitê partidário cartas nas quais questionam a liderança de May. 

Quarenta e oito (ou 15% da bancada de 315 conservadores) é o “número mágico” para forçar uma votação sobre a permanência do ou da chefe de fileira.

Para se manter à frente dos “tories”, como são conhecidos os membros da agremiação, ela precisará do voto favorável de 158 deles. Caso esse cenário se concretize, May não poderá ser alvo de outras moções semelhantes por um ano.

Mas se a chefe de governo for derrotada, deverá abrir mão da liderança do partido e, consequentemente, do posto de primeira-ministra.
May vinha enfrentando uma contariedade crescente em seu próprio campo nas últimas semanas por causa do acordo de “divórcio” fechado com a UE. 

Vários correligionários dela o consideram uma traição ao resultado do plebiscito de 2016 em que os britânicos decidiram pelo desligamento do bloco continental.

Esse grupo critica sobretudo a cláusula que prevê um cenário em que uma união aduaneira provisória seria tecida entre o Reino Unido e a UE para evitar o restabelecimento de uma “fronteira dura” na zona sensível entre as Irlandas.

O fato de May ter adiado de última hora, na segunda (10), a votação do acordo pelo Parlamento britânico, prevista para o dia seguinte, certamente não ajudou a apaziguar os ânimos. A própria primeira-ministra previa uma derrota acachapante.