Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Caminhoneiros interditaram parcialmente na madrugada desta segunda-feira (10) a rodovia Presidente Dutra (BR-116), no sul do estado do Rio de Janeiro, e fizeram um protesto no porto de Santos (SP).

As pistas foram liberadas à tarde. Houve confusão e dois manifestantes foram detidos.

Os protestos ocorreram após o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), conceder na semana passada liminar impedindo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) de multar transportadores que não seguirem os fretes rodoviários mínimos.
A tabela foi a saída encontrada pelo governo Michel Temer para pôr fim às manifestações de maio, que pararam o país.

Nesta segunda, os caminhoneiros bloquearam a Dutra em dois trechos, entre Barra Mansa e Porto Real.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a manifestação começou por volta de 5h25 no km 274 da via, e veículos de carga eram obrigados a retornar no sentido de São Paulo, provocando aglomeração na pista.

Alguns veículos foram veículos retidos, segundo a polícia. Em Porto Real, a interdição foi no km 290, informou a PRF.

Segundo a CCR, em Pindamonhangaba (SP), no km 92, tanto no sentido Rio, quanto no sentido São Paulo, houve manifestantes parados, mas estavam em postos de serviços e pelo acostamento, sem interromper o tráfego.

Às 11 horas, os caminhoneiros deixaram o local.

A Dutra é uma das principais e mais movimentadas estradas do país, já que liga as duas maiores cidades brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, atravessando regiões com grande concentração de indústrias.
Ao final da manifestação, a polícia flagrou três pessoas arremessando pedras contra caminhoneiros que não aderiam ao movimento.

Duas delas foram presas, e a outra conseguiu fugir. Segundo a PRF, três caminhões foram danificados por causa das pedradas. Os presos disseram à polícia que faziam parte do protesto.

No porto de Santos, segundo a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), não houve bloqueio das vias, e os motoristas apenas conversavam com outros caminhoneiros, sem impedi-los de continuar percurso.

“A Polícia Militar e a Guarda Portuária compareceram ao local e mantiveram a normalidade no fluxo de caminhões destinados ao Porto de Santos”, afirmou a Codesp, em nota.

Apesar do movimento desta segunda, no domingo (9), em reunião comandada por Wallace Landin, conhecido como Chorão e um dos principais representantes do setor, líderes do movimento decidiram não aderir a uma eventual nova paralisação da categoria.

Em reunião em Catalão (GO), houve consenso de que este não era o melhor momento para uma nova paralisação. Ao grupo, Chorão disse que a decisão não cabia a ele, e sim a todos os presentes.

Entre os motivos apontados pelos participantes para não parar agora, estão a promessa de que a AGU (Advocacia-Geral da União) entrará com recurso contra a liminar de Fux e a iminente posse do governo de Jair Bolsonaro (PSL), do qual esperam boa vontade.

O tabelamento de fretes foi uma das medidas adotadas pelo governo na esteira da histórica greve de maio, que afetou a economia do país como um todo. O setor empresarial considera tal medida como inconstitucional.

Fux proibiu a ANTT de aplicar multas.