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Após homenagem a Bolsonaro, Robson Gracie demite irmão que votou no PT

A FJJRio (Federação de Jiu-Jitsu do Rio de Janeiro) tem vivido dias turbulentos desde que o vice-presidente-técnico, Reyson Gracie, pediu a renúncia do presidente, Robson Gracie, por causa de uma homenagem feita ao então candidato Jair Bolsonaro (PSL). Dias depois, Robson, o mais velho dos Gracies vivos, anunciou a demissão do irmão.

“Ótimo, Reyzinho, vá meu amor. Ninguém aprecia esse teu tesão pelo pessoal que está todo preso pela Lava-Jato”, disse Robson em um áudio pelo WhatsApp ao irmão. “Siga seu caminho em paz, seja o que Deus quiser, mas você não está mais na Federação de Jiu-Jitsu do estado do Rio de Janeiro. Você não é mais [vice] presidente-técnico, nem presidente de coisa nenhuma. Beijos e abraços.”

O racha na família Gracie aconteceu depois que Robson concedeu uma faixa preta honorária a Bolsonaro, o que gerou indignação em uma parte da família que repudia o presidente eleito. Reyson Gracie, o segundo mais velho dos filhos de Carlos Gracie, fundador do jiu-jitsu brasileiro, foi o que vocalizou as críticas mais duras.

“Fui demitido e não quero fazer parte [da federação] enquanto ele estiver lá”, afirmou Reyson, que votou e fez campanha para o candidato derrotado Fernando Haddad (PT). “Não é nada pessoal, mas ele está ‘p’ da vida.” Reyson disse que vinha evitando contrariar o irmão mais velho, que tem 83 anos, temendo até que ele pudesse ter um problema de saúde em caso de briga. “Me vi numa encruzilhada e tive que escolher um caminho. A gente está contemporizando há um tempão, empurrando com a barriga, mas esse episódio foi a gota d’água”, afirmou o professor de jiu-jitsu.

O cargo que ele deixa não é remunerado. Sua função era ser uma espécie de conselheiro técnico da entidade, que organiza os principais torneios no estado do Rio e foi fundada pelos patriarcas dos Gracie ainda nos anos 70.

A reportagem apurou que a decisão de afastar Reyson foi apoiada pela diretoria da entidade, que conta com Kenya e Hanna Gracie, filhas de Robson. Na visão de boa parte da família, o protesto de Reyson é um “protesto de petistas inconformados com a derrota.” Essa parte da família questiona por que não houve indignação quando Robson fez a mesma homenagem à então presidente Dilma Rousseff (PT).

As eleições dividiram a família fundadora do jiu-jitsu brasileiro e do UFC. Enquanto nomes como Robson, Rorion e Renzo apoiaram o presidente eleito, outros Gracie como Reila, Renzo e Roger se mostraram contra.

Reila, que escreveu a biografia de seu pai, Carlos, e Reyson já propõem abertamente a saída do irmão Robson, que está no comando da federação desde os anos 80.

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(Foto: Reprodução)

“Já deu, ele não tem condição de ficar à frente da federação”, disse Reila.

“Ele é uma pessoa que não está colocando o esporte como prioridade e, sim, seus interesses políticos. A federação não pode ser instrumento eleitoreiro, não pode ficar à mercê das eleições.”

“Se ele for chamar novas eleições, eu proponho que assumam as filhas Kenya e Hanna, que estão fazendo um trabalho excelente, uma organização impecável”, afirmou Reyson.

Procurada, a Federação de Jiu-jitsu do Rio de Janeiro preferiu não se pronunciar.

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