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domingo, outubro 25, 2020
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Geovane, o bombeiro-biólogo que trabalha em defesa da vida na Amazônia

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No Dia do Biólogo (3 de setembro), conheça a história de quem trabalha todos os dias no combate ao fogo e resgate a animais na Amazônia

Por WWF-Brasil

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Considerada uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, o Vale do Juruá, no extremo oeste do Acre, nunca presenciou um índice tão alto de queimadas quanto os registrados nos últimos dois anos. Se antes a devastação estava restrita ao leste do estado -onde está concentrada a maior área de pecuária-, agora ela adentra por municípios isolados no meio da Amazônia, formados por territórios indígenas e unidades de conservação.  

O fogo em uma região tão preservada da floresta traz graves consequências para a flora e a fauna. Quando não são mortos pelo fogo ou pela inalação de fumaça que debilita seus organismos, os animais silvestres em fuga das queimadas acabam sendo vítimas de atropelamento nas estradas ou ruas das cidades, além de serem atacados por animais domésticos.  

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“O fogo afeta principalmente serpentes como a jiboia”, informa Geovane da Conceição Gomes, 37 anos, soldado do Corpo de Bombeiros do Acre na cidade de Cruzeiro do Sul, a maior do Vale do Juruá. “Esta tem sido uma temporada atípica, todo dia atendendo a chamados para recolher animais debilitados encontrados pelas ruas”, comenta o soldado-bombeiro Geovane.   

Além da formação como combatente do fogo, Geovane é biólogo por formação acadêmica, o que ajuda no seu trabalho de resgate e captura da fauna silvestre numa das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta. Como ele lembra, há espécies que são únicas daquela região (endêmicas), daí a necessidade de se ter conhecimento de como fazer o manejo e a devolução para a natureza.  

Além das jiboias, as espécies mais capturadas são o tamanduá-mirim, a preguiça-real, tatus, corujas e outras aves. Entre 1º de janeiro e 25 de agosto deste ano, o Corpo de Bombeiros do Acre atendeu 1.852 ocorrências de resgate de animais, quantidade 32% superior do que no mesmo período de 2019.  A maioria nesta temporada de estiagem e queimadas. 

Geovane e outros três bombeiros com formação em Biologia são os responsáveis pela captura, resgate, reabilitação e devolução dos animais a um habitat similar ao de sua origem. Mas, para dificultar esta ação, a cidade de Cruzeiro do Sul não conta com um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) como o disponibilizado pelo Ibama na capital, Rio Branco, a 631 quilômetros de distância. 

“Quando o animal está em boas condições, nós os devolvemos imediatamente à natureza. Se está debilitado, a solução é alojar os animais provisoriamente no quartel da corporação, fazer o possível para recuperá-los e devolvê-los em alguma área nas proximidades da cidade que tenha floresta conservada para que encontrem alimento e água”, explica Geovane.  

Graduado pela Universidade Federal do Acre, Campus Floresta de Cruzeiro do Sul, Geovane encontrou no Corpo de Bombeiros o local perfeito para exercer sua dupla vocação: a carreira militar e a Biologia. Antes de se tornar um bombeiro, em 2015, foi cabo do 61º Batalhão de Infantaria de Selva, unidade do Exército Brasileiro que costuma submeter seus recrutas a um dos mais duros e arriscados exercícios de sobrevivência na floresta, a chamada “Operação Boina”. 

A formação militar o ajuda a desenvolver técnicas de sobrevivência e conhecimento no meio da Floresta Amazônica, identificando as melhores áreas para a soltura dos animais. Já a graduação em Biologia reforçou a sua paixão pela natureza, pelos animais, em uma cidade rodeada por uma floresta exuberante, mas que vem sendo bastante impactada pelo avanço do desmatamento e das queimadas.   

Sonho realizado 
“Eu cumpri meu serviço militar obrigatório com muito prazer e distinção ganhando a oportunidade de permanecer como soldado profissional, sendo promovido a cabo, condição em que permaneci entre 2003 e 2010. Neste período cursei a faculdade e, em 2012, prestei concurso para as fileiras dos Bombeiros. Fui convocado em 2015. Ser bombeiro e salvar a vida das pessoas é um sonho que povoa a imaginação de muitas crianças. É um trabalho extremamente gratificante”, conta Geovane.  

Atuando como bombeiro e biólogo, Geovane se considera realizado como criança num zoológico. “Atuar no resgate e captura de animais e na conservação ambiental é tudo o que eu preciso para me satisfazer profissionalmente e sustentar a minha família”, diz. Captura, ao contrário do resgate, ocorre quando o animal escapou ileso das queimadas e foi parar na zona urbana, correndo o risco de atropelamento ou de ataques de cães e do próprio homem. 

“É muito comum as pessoas encontrarem animais silvestres perdidos nas ruas e os levarem para casa, o que é errado. O correto é chamar os Bombeiros, pois nós temos os equipamentos adequados para a captura sem causar ferimentos e temos os meios para identificá-los e transportá-los aos locais corretos”, informa Geovane.  

De acordo com ele, também é muito comum as pessoas que levam animais para casa se arrependerem mais tarde e chamarem os Bombeiros para devolvê-los à natureza. “Pegam quando é pequeno, crescem e começam a ficar agressivos por falta de espaço e alimentação insuficiente ou inadequada. Animal silvestre não deve ser criado em casa”, aconselha. 

Recentemente, Geovane foi convocado para resgatar uma arara-azul com uma asa quebrada no centro de Cruzeiro do Sul. Tão logo localizaram a ave, apareceu uma pessoa se identificando como seu proprietário. Embora seja proibida a posse de animais silvestre em cativeiro sem a devida autorização do Ibama, a corporação não teve outra alternativa a não ser permitir que a arara retornasse para a casa de onde fugiu, pois com sua deficiência não sobreviveria na floresta. “Caso a gente tivesse um Cetas aqui é claro que iríamos levar para lá, que é o local certo.”  

Por esta razão, Geovane apela para que o Ibama construa em Cruzeiro do Sul um centro de triagem de animais silvestres, onde a fauna possa ser reabilitada com melhor estrutura. Além de Cruzeiro do Sul, o destacamento local atende as cidades de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e o município amazonense de Guajará. 

Fortalecer o trabalho do soldado Geovane em uma região tão rica da Amazônia é essencial para a sua preservação. É o trabalho dedicado, de completa entrega, como o dele que faz toda a diferença para salvar vidas – todas as vidas.  

Para apoiar este trabalho tão importante, o WWF-Brasil firmou parceria com o Corpo de Bombeiros do Acre visando fortalecer a atuação de combate aos incêndios florestais num estado que ainda preserva 87% de sua Amazônia – que se encontra bastante ameaçada nos dias atuais.  

Foram doadas 163 peças de combate ao fogo e equipamentos de proteção individual para a corporação – como bombas flutuantes para captação de água, bombas costais, abafadores, sopradores, máscaras, luvas e capacetes. Carregadas como mochilas, as bombas costais armazenam até 20 litros de água e são importantes nessas localidades em que as viaturas não alcançam.

Ao apoiar o WWF-Brasil, você pode contribuir para que a gente continue apoiando essa e outras iniciativas. Saiba mais em: doe.wwf.org.br.

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