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terça-feira, setembro 22, 2020
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Lixões a céu aberto são tão graves quanto uma pandemia

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Em meio ao caos por conta do novo coronavírus, é preciso trazer à tona as consequências da não implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Prestes a completar 10 anos, a lei que estabelece a erradicação dos chamados lixões a céu aberto, está longe de sair do papel. Enquanto isso, acumulam-se na mesma proporção das montanhas de lixos os danos ambientais e os graves problemas à saúde dos brasileiros

Ninguém, no mundo, imaginaria começar 2020 ‘de cara’ com um inimigo invisível, o novo coronavírus.  São tempos muito difíceis e, mesmo diante do caos para além da tragédia humana, muitos ainda não acreditam que o planeta vive e sofre as consequências drásticas de uma pandemia. São muitas perguntas, incertezas e quase nada de respostas concretas quanto à cura da Covid-19 ou como e onde tudo começou. No entanto, para muitos especialistas a degradação do meio ambiente está na origem da pandemia, e, por isso entenda-se entre outros aspectos relevantes o crescimento urbano desordenado, a industrialização sem limites, a destruição de florestas e habitats naturais e a falta de maiores investimentos em vigilância sanitária.

Trazendo todas essas questões para a nossa realidade, em especial para a gestão dos resíduos sólidos, a pandemia reacende a polêmica sobre a não implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em todo o Brasil. Prestes a completar 10 anos, a lei determina o fechamento de todos os lixões e a destinação de rejeitos – aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado -, quase nada se avançou quando ao assunto é a erradicação dos lixões em todo o país – apesar de 60% das cidades brasileiras ainda manter os chamados lições a céu aberto –  3353 municípios -, causando graves danos ambientais e à saúde da população.

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Neste contexto e sob o ponto de vista da saúde pública, além do aparecimento de várias doenças como dengue, febre amarela, zika e chikungunya, parasitoses e tantas outras, aliadas à estrutura deficitária e escassez de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), somam-se os elevados custos sociais e econômicos nos gastos públicos do município, Estado e União.

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Outro dado extremamente preocupante: as chamadas zoonoses – doenças infecciosas capazes de ser naturalmente transmitidas entre animais e seres humanos – representam 60% de todas as doenças infeciosas em humanos e estão em ascensão devido à destruição dos habitats selvagens decorrente das mais diversas atividades econômicas. Ou seja; em grande escala, essas doenças, além dos impactos negativos na vida em comunidade afetam, de maneira extremada, o tripé da sustentabilidade – a economia, a sociedade e o meio ambiente. O pior exemplo desse desiquilíbrio, hoje, é o novo coronavírus.

Para Yuri Santos. diretor de operações da Direção Máquinas e Equipamentos – Demaq, a despeito das propostas para a destinação e tratamento ambientalmente corretos ao lixo, em todas as suas classificações, a primeira passa por investimentos massivos, de forma planejada e responsável, em alternativas sustentáveis e com ganhos substanciais para a saúde, a economia e o meio ambiente com todas as complexidades que lhe são afetas. “As soluções estão postas, cabe aos gestores públicos se vestirem da mesma vontade política e disposição, assim como vêm fazendo para enfrentar a Covid-19, para acabar de vez com uma de nossas maiores chagas, os aterros e lixões, para onde são destinados mais de 80 mil toneladas de resíduos por dia e com elevado potencial de poluição ambiental e consequências graves à saúde da população, em particular de milhões de brasileiros que têm, nas montanhas de lixo e com tudo o que há de mais degradante para a própria dignidade humana, o sustento de suas famílias”, enfatiza.

Tecnologia e sustentabilidade

Ao falar de solução, Yuri Santos considera uma tecnologia japonesa como sendo a melhor aposta para o tratamento de resíduos sólidos urbanos, industriais, de agronegócio e hospitalar, a qual reduz em até 95% o volume dos resíduos e está totalmente dentro das normas ambientais. Chamada de “DTRO5”, trata-se de um equipamento de grande porte (5 toneladas) para decomposição de resíduos por meio de plasma frio, que pode integrar uma Usina de Tratamento de Resíduos Urbanos. Funciona com a presença de oxigênio ionizado e decompõe a temperaturas inferiores a incineradores convencionais, gerando o mínimo de poluentes e dispensando totalmente a utilização de aterros sanitários, já proibidos desde 2010.  Com capacidade para tratar 210 kg de lixo por hora, somente uma atende às necessidades de um município de até 20 mil habitantes, por exemplo. Vale destacar a triagem de todo o resíduo feita antes de dar entrada no maquinário, o que torna indispensável a colaboração de Associações de Catadores de Papel.

Ainda segundo o CEO da empresa, que importou a tecnologia, esta é uma solução amplamente utilizada no Japão, país 22,5 vezes menor que o Brasil e que precisou desenvolver tecnologias avançadas de reciclagem e tratamento de resíduos. “O equipamento não utiliza combustíveis ou fonte de energia externa para o processo de tratamento do lixo, conta com tecnologia totalmente testada e aprovada pelos órgãos ambientais e não necessita de mão de obra especializada para operação, além de contar com linhas de financiamento do BNDES”, esclarece Yuri.

Vantagens

Entre os diferenciais técnicos da máquina está a redução do volume de resíduo em 95%, além de não utilizar combustíveis ou fontes de energia externa para o processo de tratamento. Ou seja: o lixo é o próprio combustível e 100% da matéria resultante é aproveitável e pode ser usado como adubos, insumos para cimenteiras, fabricação de bloquetes, entre outros. Vidros e metais são reaproveitados e vendidos como material reciclado. A utilização da máquina possibilita ainda o tratamento do Passivo Ambiental de Resíduo Urbano, localizado em aterros irregulares ou desativados

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