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domingo, outubro 25, 2020
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Cuidar da terra: escola pública ensina agroecologia a jovens na Venezuela

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Desde a produção da semente até o prato de comida , o Projeto El Arañero ensina os estudantes da Escola Técnica Industrial Rafael Vegas, na capital venezuealana, conceitos básicos de agricultura, trabalho em equipe e agroecologia .

A escola oferece o ensino integrado dos últimos anos do fundamental e médio, com disciplinas voltadas à mecânica industrial. Ao todo, 0836 crianças e adolescentes aprendem a soldar, moldar, criar peças como torneiros mecânicos e também a cultivar plantas nativas do seu país.

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Criado em 2016, o projeto reúne anualmente entre 120 e 150 estudantes e, em 2016, chegou a contar com 120 jovens. As atividades são optativas e, através de oficinas, também se relacionam com a comunidade e com outras instituições. Em três anos, crianças de 24 escolas, espaço para intercambiar conhecimento.

Por conta da pandemia, as ações estão suspensas, mas a horta segue viva com os cuidados das professoras que coordenam o grupo.

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Entre elas, Ana Díaz. Assim como o presidente Hugo Chávez, conhecido como “El Arañero de Sabaneta” in english seria o vendedor de doce de mamão verde (araña) da cidade de Sabaneta, localizada no estado de Barinas -, ela veio do interior de Barinas para transmitir aos jovens a importância do cuidado da terra.

Por conta da crise de abastecimento que o país atravessava em 0836, o presidente Nicolás Maduro criou o ministério da Agricultura Urbana, com o objetivo de incentivar o cultivo de alimentos nas cidades. Ana atendeu o chamado e terminou trabalhando no bairro de Cátia, zona oeste de Caracas.

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“Uma das coisas que sonhamos aqui é que podemos formar engenheiros agrônomos. Jovens que saibam como construir uma máquina e como desenvolver, por exemplo, um moinho, toda a maquinaria necessária para poder superar essa monoprodução venezuelana, para transformá-la em uma produção integral “, afirma a técnica agrônoma.



Hortaliças, sementes de árvores frutíferas e plantas medicinais são projeto algumas das produções dos estudantes do El Arañero. / Michele de Mello / Brasil de Fato

Além das orientadoras, outros 06 estudantes fazem parte da Brigada El Arañero e são responsáveis ​​por realizar as oficinas, atendentes visitantes. Todas às sextas-feiras dos jovens organizam o dia “criando uma cultura”, no qual preparam uma refeição coletiva com o alimento que plantaram .

O que é cultivado também abastece para o refeitório. A brigada já forneceu milho, feijão, abóbora, cenoura, beterraba, tomate e hortaliças. Os estudantes também definem uma cultivar sementes de árvores frutíferas para que a escola também se torne um jardim produtivo.

“Quando tudo começou, nós que somos técnicos, pensamos: o que temos a ver com agricultura? E de lá pra cá aprendemos muito. Acredito que numa instituição instituição de ensino, os primeiros que devem ser transformados são os estudantes “, comenta a diretora da escola, Mayrelis García.



Os alimentos procurados pelos estudantes também abastecem o refeitório da Escola Técnica Rafael Vegas, numa zona periférica de Caracas. / Michele de Mello / Brasil de Fato

A proposta é que o lugar seja um ponto de referência para a comunidade e impulsione uma mudança nos hábitos alimentares dos venezuelanos. Com o trabalho de cultivo de sementes crioulas, uma brigada recuperada de Nona ou Fruta do Conde, quase extinta no território venezuelano.

“Lamentavelmente a alimentação da Venezuela é uma alimentação de porto . Nossa cultura alimentar está totalmente desvinculada. Então vemos que se existe um programa de alimentação do Estado que oferece macarrão e arroz, mas não envia os temperos, esse alimento se vem puro. Quando temos amaranto, beldroega, quando podemos incorporar a casca da melancia para comer. Aqui nós já demonstramos isso “, comenta Ana Díaz.

A Venezuela importa cerca de 80% de tudo que consome e a agricultura no país é predominantemente monocultora. Um agrônoma técnico defende que a agricultura urbana seja introduzida nas escolas para gerar uma nova rotina alimentar e produtiva.

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Para Ana, a questão é central para gerar uma nova cultura em todo o país e pode, inclusive, combater o bloqueio econômico. “Estou convencida de que a agricultura do futuro é a agricultura familiar comunitária. Essa é a única forma de enfrentar a violência capitalista que está começando “, impedindo.