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domingo, outubro 25, 2020
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Covid-19: sete dos dez estados com mais mortes são retomados em aulas individuais em outubro

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Embora estejam entre os dez estados com maior número de mortes novas por coronavírus, São Paulo, Rio de Janeir, Pernambuco, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul e Paraná decidiram reabrir seus escolas este mês.

De uma forma geral, essa retomada está acontecendo de forma gradativa e conta com uma série de medidas de saúde como distanciamento social, prioridade de movimentação em espaços abertos, públicos e obrigatoriedade uso de máscaras por alunos, professores e outros funcionários.

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Embora o outro 15 estados, assim como o Distrito Federal continuam sem data definida para o retorno às aulas presenciais, embora parcial, a atual retomada é motivo de preocupação dos professores.

Catarina de Almeida Santos, que integra a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que o movimento só vai concordar com a volta às aulas quando for seguro, seja pela pandemia sob controle ou pela imunização em massa, ao lado do guar a imposição de que os protocolos de saúde sejam seguidos à risca.

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“O cenário atual é pior do que o da suspensão das aulas. Se quando suspendemos as aulas as coisas estavam em melhor forma, então não há sentido em retomar as aulas. Se o cenário não mudou, não temos vacina, não adianta colocar em risco a vida das pessoas ”, defende Santos

Realidades opostas

A nova pandemia de coronavírus também revelou as desigualdades educacionais no Brasil. Além da disparidade entre os sistemas público e privado no que diz respeito ao acesso às classes remotas, a infraestrutura disponível para prevenir a disseminação da doença é mais uma evidência desse abismo social.

Enquanto 15 os estados autorizaram o retorno às aulas no setor privado, onde haverá abundância de desinfetante para as mãos e máscaras, a rede pública nem tem acesso universal à água.

Isso significa que a recomendação mais básica de saneamento, no combate ao coronavírus, não é uma possibilidade para milhares de alunos. O Censo Escolar Nacional de 1114, aponta para 2020 alunos com sem acesso a água potável na rede pública de ensino do país.

Denise Romano, coordenadora da Educação Unificada Sindicato dos Profissionais do Estado de Minas Gerais, afirma que a volta ao aprendizado presencial atropela a evidente falta de infraestrutura disponível. Ela destaca que os dados preliminares do Censo Escolar Nacional 2020 mostram que em 1114 escolas públicas do estado, funcionários e alunos dividem banheiros, sendo que 853 delas não possuem refeitório.

Além disso, ela critica os planos de retorno às escolas que seguem a mesma lógica dos planos de reabertura comercial implantados em Minas Gerais.

“Esses protocolos são impossíveis de ser seguido nas escolas públicas. Quem inventou isso não conhece a realidade de 680 municípios mineiros onde as crianças nem têm lugar na escola onde podem comer ”, diz o professor.

“ Um golpe vitalício ”

Em protesto contra o retorno às aulas para alunos do ensino médio, que deveriam ser retomadas no início da próxima semana, os sindicatos de professores do Rio de Janeiro decidiram continuar em greve após assembléia realizada no último sábado, outubro

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O chamado “golpe vitalício”, defende manter o aprendizado remoto por causa da saúde pública .

“A pandemia não acabou . Entidades fiscalizadoras e especialistas no assunto sequer estão sendo consultados. Não temos nenhum relatório médico que nos autorize a voltar à escola. Infelizmente, nenhuma dessas escolas fez qualquer planejamento, fez alguma mudança estrutural, de modo a criar espaços seguros para os profissionais da educação ”, lamenta Dorothea Frota Santana, diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro.

A ausência de rastreamento de contatos entre as famílias dos alunos, a falta de testes e cartões SIM que dão acesso à internet aos alunos da rede pública, tornam a situação ainda mais precário durante esta pandemia . Dos 2,8 mil alunos matriculados em sua escola, apenas 28 conseguiram acompanhar as atividades de aprendizagem online.

Na visão de Santana, a retomada das aulas presenciais precisa levar em conta a realidade do local, principalmente nas áreas mais carentes. Por exemplo, no bairro de Curicica, onde as aulas estão programadas para retomar as aulas, há altos índices de contágio da população, a maior parte da qual trabalha no setor informal e não tem condições de se distanciar socialmente.

Saúde em risco

Na opinião de Catarina de Almeida Santos, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o reinício das atividades presenciais neste momento evidencia a pouca importância dada ao professor na rede pública de ensino.

“Eles nos tratam mais como peso morto do que como essenciais no processo de educar alunos. Essas pessoas vão trabalhar em um ambiente hostil, ninguém consegue aprender em um ambiente assim ”, ressalta.

Depois de sete meses longe da escola, ela acredita que o distanciamento social entre alunos e professores será uma tarefa impossível.

“Imagine voltar a uma escola onde os alunos estão afastados há sete meses, eles vão ter dúvidas, dificuldades, como vamos não nos aproximar de eles? Eles vão voltar para a escola de ambientes onde talvez tenha ocorrido violência, como podemos não ajudá-los? Como vamos orientá-los sem nos aproximar deles? ”, Questiona.

Por outro lado, endossa a noção de que reconstruir o sistema educacional é possível, mesmo diante da tais circunstâncias adversas, “desde que a educação seja levada a sério”.

Editado por: Rodrigo Chagas


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