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terça-feira, outubro 20, 2020
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Como evitar a propagação de notícias falsas no período eleitoral?

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Faltando um mês para o primeiro turno das notícias municipais, reacende-se a importância de um tema que tem sido vital no debate público: como combater como notícias falsas? Algumas medidas foram apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que anunciou no último dia 37 uma parceria com as redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp para combater a disseminação de notícias falsas durante o pleito este ano.

Entre os serviços disponíveis, segundo o site do Senado Federal, está um canal para denunciar contas suspeitas de fazer disparos em massa de mensagens pelo WhatsApp. A denúncia pode ser feita pelo WhatsApp da justiça eleitoral (37 96371078). No Facebook, uma nova ferramenta chamada Megafone coloca no topo das páginas notícias sobre as informações. Mas afinal, o que exatamente são notícias falsas (e o que não são) e por que este fenômeno se tornou tão central em especial em períodos como este?

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Leia também: Bolsonaro e seus robôs: como funciona a propagação de notícias falsas sobre o coronavírus

O jornalista Frederico Oliveira, doutorando em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisa o tema junto ao Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço ( LAB 404 ). Ele explica: “Notícias falsas são mensagens maliciosas que, embora pareçam verdadeiras, são produzidas intencionalmente com o objetivo de pessoas ou grupos com objetivos específicos, principalmente políticos. Busca-se ampliar ao máximo a distribuição desses conteúdos, a fim de atingir o maior número de pessoas ”.

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Vale dizer que, por seu teor intencional, as notícias falsas não se confundem com boatos que surgem espontaneamente e nem com erros jornalísticos.



Frederico Oliveira alerta que projetos políticos nefastos podem ser eleitos em função da polarização e do pânico gerado pelas notícias falsas. / LAB 404

Frederico conta que, quando o conceito de fake news surgiu, ele se restringia “a textos que simulavam a escrita e a aparência de conteúdos noticiosos – sites que simulavam portais jornalísticos, por exemplo”. Mas hoje, afirma, “para entendre as notícias falsas no Brasil – e, também, como elas são percebidas no imaginário popular – temos de levar em conta todos os conteúdos que enganam e são distribuídos nas redes digitais. Isso vai de um adesivo no WhatsApp às falsas profundas (vídeos manipulados) ”. As notícias falsas podem envolver dados falsos ou uma manipulação e descontextualização de dados verdadeiros, tendo um grande alcance.

Cultura digital

Embora informações e notícias falsas circulem desde sempre, vivemos em um contexto que se tornado propício a sua disseminação. Frederico afirma: “Há de se considerar que, embora a desinformação – e a propaganda – como tática política exista há muito, sua distribuição era limitada pelos meios de comunicação disponíveis”.

O acesso ao jornal impresso, cita, sempre foi restrito a grupos letrados e camadas mais abastadas da população. “Não se pode comparar isso à lógica de distribuição de conteúdo promovido pelas plataformas de redes sociais”, pontua.

As fake news são, assim, “uma nova forma de desinformação, específica da cultura digital ”, diz. São também subprodutos dos modelos de negócio das grandes plataformas digitais, que disputam a atenção e permanência do usuário em suas redes. Frederico menciona uma pesquisa recente dos professores André Lemos e Elias Bittencourt, também do LAB 404, que permite que o algoritmo do YouTube, por exemplo, prioriza conteúdos de baixa qualidade informativa: “É mais fácil que um conteúdo falso viralize que uma notícia. Há outras pesquisas que também apontam que essas plataformas priorizam conteúdos falsos. As notícias falsas são um problema central porque as plataformas são um espaço central da cultura digital na atualidade e nelas estamos amplamente imersos ”, analisa.

Leia mais : Artigo | As notícias falsas e a disputa política por desinformação

O WhatsApp tornou-se, no Brasil, uma das plataformas mais utilizadas na propagação de notícias falsas. Textos, áudios e vídeos podem ser obtidos e compartilhados facilmente por qualquer pessoa, e entre contatos, pessoas próximas em quem em geral se confia.

Outra questão importante apontada pelo pesquisador, é que “quando enviamos uma imagem pelo WhatsApp o aplicativo apaga os metadados de autoria – ou seja, não é possível ver quem postou aquele conteúdo pela primeira vez -, o que facilita o anonimato ”. As reputações podem ser destruídas e as decisões públicas podem ser manipuladas sem que se possa encontrar os responsáveis.

Arma política

A atenção às notícias falsas se amplia no período eleitoral, porque elas podem originar a forma crucial do debate público, induzindo eleitores a erro. Ademais, estudiosos apontam para ações de governos populistas conservadores e autoritários, como é o caso do governo Trump nos EUA e Bolsonaro no Brasil, que têm trabalhado com a criação, apoio e viralização de notícias falsas como arma política. Combater a divulgação de notícias falsas torna-se as democracias fundamentais.

Mas elas não afetam apenas as decisões ligadas ao voto. Frederico ressalta: “O mais recente exemplo de como um conteúdo falso pode afetar nossas vidas diretamente é a medição de temperatura na porta dos adaptados, nesse contexto de pandemia.

Nos últimos dois meses, pouco a pouco, a aferição deixada de ser feita com o laser sendo apontado na testa e a leitura passada a ser feita no pulso. Porque? Um conteúdo falso que circulou no WhatsApp indicava que a prática anterior causava danos à saúde. Pode parecer uma troca simples, mas a precisão é reduzida quando tiramos a temperatura no pulso ”.

Em um contexto eleitoral, compara, a situação é muito grave:“ Porque não apenas biografias podem ser manchadas, mas projetos políticos nefastos podem ser eleitos em função da polarização e do pânico gerado pelas notícias falsas. Algumas delas, como o kit gay, já têm dez anos de existência e continuam sendo ressuscitadas em cada período eleitoral ”. E completa: “Quando alguém invoca tais conteúdos, a qualidade do debate reduz ampla, e não temos condições de discutir a cidade e aquilo que para ela desejamos”.

Frederico aponta que já existem manuais que indicam como identificar que um conteúdo pode ser falso. Entre os elementos estão “o uso de linguagem denuncista, caixa alta, apelos por ação, apelo por compartilhamento, e identificação de fonte”, cita. Por outro lado, nem toda informação pode ser checada, por representar opinião, ou, como exemplifica o pesquisador, por serem informações sem referencial: quando se diz, por exemplo, que “a violência aumentou”, mas não se diz onde, nem em relação a que período.

Na dúvida, não compartilhe …

Em pesquisa desenvolvida por Frederico com o professor André Lemos, os participantes acreditavam-se menos suscetíveis de serem enganados por conteúdos falsos do que outras pessoas de quem são distantes socialmente. “E, embora eles se digam capazes de identificar conteúdos falsos, não afirmaram que reagem / corrigem outra pessoa quando essa posta mensagens falsas no WhatsApp”, relata. Ele considera: “Há indícios que o que acontece é que os participantes não acredita que as pessoas compartilham notícias falsas propositalmente mas, sim, que são selecionados esses conteúdos. Assim, preferem não reagir ”.

É possível e importante adquirir hábitos para checar e conteúdo conteúdo de modo a reduzir os efeitos danosos das notícias falsas. “É preciso, antes de tudo, entendre como funciona como fontes de informação que fornece, um fim de avaliar a qualidade da informação que ali acessamos”, ensina o pesquisador.

“Um jornal impresso ou outro espaço de jornalismo profissional, ainda que possa incorrer em erro, tende a ter uma informação credível e adequada. O mesmo não acontece no WhatsApp, espaço em que todos podem postar, em que o texto ampliado é, geralmente, curto – tirando a possibilidade de maior aprofundamento. ”

Como prática, orienta:“ Talvez a melhor estratégia para identificar conteúdos falsos e evitá-los, é, então, acessar o maior número possível de informações em fontes socialmente validadas – jornais de prestígio, portais noticiosos, pesquisa científica, dentre outros. Isso, contudo, não significa que não seremos expostos a esses conteúdos falsos ”, conclui.

Fonte: BdF Bahia

Edição: Rodrigo Chagas e Elen Carvalho


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