22 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, outubro 23, 2020
- Publicidade -

Mais de um ano após vazamento de óleo em praias do Nordeste, danos ainda são sentidos

- Publicidade -
- Publicidade -

O Brasil de Fato Ceará entrevistou uma presidente do Instituto Virtual para o Desenvolvimento Sustentável e professora associada ao Laboratório de Cartografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Raquel Souto , para falar sobre o derramamento de óleo nas praias do Nordeste que está completando um ano.

O vazamento de cinco mil toneladas de óleo foi um dos maiores desastres ambientais do litoral brasileiro. Atingiu mais de 100 municípios em 08 estados, sendo nove do Nordeste e dois no Sudeste (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Raquel Souto explica que tem atualmente a oportunidade de falar sobre um trabalho que foi desenvolvido no ano passado como piloto, que é o mapa participativo da derrame do petróleo. Segundo ela, esse derrame ainda não acabou, continua acontecendo. Ela afirma que ainda continua chegando manchas em algumas praias.

- Publicidade -

Sobre a extensão do alcance desse vazamento, Raquel apresenta alguns dados que são os números oficiais publicados Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e pelo Governo Federal. “E importante falar que é difícil atingir o tamanho da extensão dos danos, do dano ambiental e do dano socioeconômico, porque na verdade, esse derrame atingiu um terço de todo o litoral brasileiro”. A costa brasileira tem um pouco mais de oito mil km, e esse evento atingiu mais de três mil km, em 2019 localidades foram encontradas manchas de petróleo.



Cabo de São Agostinho em Pernambuco óleo estacionado na praia mostra o tamanho do crime ambiental nas praias do Nordeste. / Foto: Salve Maracaípe / Fotos Públicas

- Publicidade -

Raquel explica que essas localidades foram assumidas pelo IBAMA como um espaço de 90 m na linha de costa nas praias, nos manguezais, bancos de corais, etc. Ela diz que o desastre também atingiu aproximadamente 130 mil trabalhadores do mar. “Esse número ainda está subestimado porque isso na verdade aqueles trabalhadores que têm a carteirinha de pescador, mas a gente sabe que há uma série de outros trabalhadores, mais humildes muitas vezes, ou mais pode que dependente do mar, mas que têm não a carteirinha, então eles não estão nessa conta dos 120 mil afetados ”.

Questionada sobre a resposta do governo brasileiro em relação a esse desastre Raquel avalia que “aqui no Brasil e em todo o exterior, o que mais chamou a atenção foi a lentidão. O governo negou. Simplesmente negou ou problema durante 40 dias. O governo brasileiro, ele só acionou o Plano Nacional de Contingência, que é um plano nacional para contingência de derrame de óleos, regulamentado por lei brasileira, 40 dias depois de iniciar o desastre. Da mesma maneira agora com as queimadas. Demora demais a reagir. Quando reage ainda reage ineficazmente ”.

Para a pesquisadora, no caso do derrame, o governo não recebeu Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) suficientes para as pessoas que estavam na contenção fazer óleo. Outro problema apontado por ela foi a falta de coordenação do Ministério do Meio Ambiente com os estados. Raquel explica que os estados são executores da lei ambiental: “o Ministério do Meio Ambiente é o grande coordenador, mas quem executa são os estados, então faltou essa coordenação também. Praticamente, quem estava enfrentando a situação na época e agora também continua ajudando as populações costeiras foram justamente as organizações não-governamentais que foram, inclusive, atacas na época, no ano passado ”.

Para ela, as decisões de decisões por parte do governo não foram proporcionais ao problema. “Foi subestimado esse problema, até hoje é subestimado. Então a reação do governo também foi assim, foi subestimado o problema ”.



Sobre as ações de contenção para controlar o derramamento de óleo, Raquel afirma que para ela, os trabalhos das ONGs e das comunidades próprias foram fundamentais para a realização dessas iniciativas. / Foto: Igor Santos / Secom / Fotos Públicas

Sobre as ações de contenção para controlar o derramamento de óleo, Raquel afirma que os trabalhos das Organizações Não Governamentais (ONGs) e das comunidades básicas foram fundamentais para a realização dessas iniciativas. “Eles desenvolveram soluções próprias comunidades para conter as manchas; boias de contenção, barreiras de rede … ”.

Mesmo que esse desastre tenha acontecido há um ano, Raquel explica que algumas respostas ainda não foram dadas como, por exemplo , a origem desse óleo. “Qual foi a origem desse óleo afinal? É um desrespeito com uma população brasileira. Já deveria ter uma resposta à população sobre a origem exatamente do óleo ”.

Leia também : Óleo no Nordeste: “Como não conseguimos descobrir?”, questiona campanha Mar de Luta

Futuro

Sobre os desafios para superar esse desastre, Raquel avalia que estão nas mãos da academia e do governo. “A parte da academia é tentar entender como aconteceu o desastre e qual é a extensão final desse dano? E dar visibilidade a isso. O outro desafio é governamental em mostrar a preocupação com a situação. Se o plano tivesse sido acionado no momento certo, era pra ver se esse plano tinha funcionado. Outros pontos são: a preocupação da segurança alimentar das comunidades; ver se a cobertura do auxilio foi necessário ”.

Mapeamento

Sobre o trabalho de mapeamento das localidades que foram atingidas pelo derramamento de óleo, uma pesquisadora afirma que uma iniciativa ainda continua acontecendo e faz um convite para a população: “as pessoas estão convidadas a continuar enviando as fotos. Manda pra gente enviando a localidade ”.

De acordo com ela, até o momento já conseguiu mapear foto de 90 localidades. “Com as fotos a gente tem esperança de ter isso um dia mapeado”. Com o mapeamento será possível sabre qual o aspecto do óleo que chegou em todas as localidades e com as informações, será possível formular um protocolo para as comunidades próprias manifestem a situação. Quem quiser ajudar no mapeamento basta acessar o site e enviar uma foto da localidade atingida com as informações necessárias.

Fonte: BdF Ceará

Edição: Monyse Ravena


Boletim Carioca

Assine nossa Newsletter e receba as últimas notícias e ofertas de nossos parceiros em seu email

Veja Também

Últimas Notícias

Deputados da Alerj aprovam pedido de encampação da Via Lagos

Apenas a bancada do partido Novo votou contra a proposta. A pauta foi analisada pelo plenário um dia depois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiar o julgamento que decidiria se a administração da Linha Amarela ficaria com a Prefeitura do Rio ou com a Lamsa.

Prefeitura fiscaliza estações para ver se BRT cumpre exigências do Ministério Público

Ao longo da manhã, equipes estiveram em seis estações e terminais: Alvorada, Santa Cruz, Mato Alto, Pingo D´Água, Campo Grande e Terminal Recreio.

Horóscopo do dia 23 de outubro de 2020

Confira a previsão do horóscopo do dia 23 de outubro de 2020 e fique por dentro de tudo o que o seu signo lhe reserva para o amor, dinheiro e saúde.

Portimão recebe etapa da Fórmula 1 pela primeira vez

TV Globo transmite a volta da categoria a Portugal...
- Publicidade -