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quinta-feira, outubro 29, 2020
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Relembre: cinco indícios que conectam os EUA ao golpe na Bolívia

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Os Estados Unidos foram protagonistas do golpe de Estado que levou à renúncia de Evo Morales em novembro de 2019. Essa tese é defendida pelo Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente, e por analistas internacionais como o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim.

“O Estado Profundo dos EUA idade na Bolívia ”, disse Amorim ao portal Tutameia , à época do golpe. “Eles não aceitam que a América Latina deixe de ser o seu quintal.”

Donald Trump e a Casa Branca nunca assumiram participação nesse processo, embora tenham se posicionado publicamente contra a reeleição de Morales. O novo pleito está marcado para 18 de outubro.

Na Semana Internacional de Luta Anti-Imperialista , o Brasil de Fato reuniu cinco indícios que conectam aos Estados Unidos ao golpe na Bolívia – desde os primórdios até sua consolidação.

1. Camacho-Araújo-EUA

O expositor de extrema direita e católico fundamentalista Luis Fernando Camacho, então presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e hoje candidato à Presidência, é o rosto mais conhecido do golpe boliviano. Porém, suas relações políticas não se limitam às fronteiras do país.

Em maio de 2015, Camacho reuniu-se com Ernesto Araújo, chanceler brasileiro, para pedir apoio à campanha contra a reeleição do então presidente Evo Morales. Araújo é um dos principais interlocutores dos Estados Unidos na América do Sul e é criticado por seu alinhamento irrestrito a Trump.



Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, ao lado de Ernesto Araújo na fronteira com a Venezuela. / Reprodução / Twitter

A proximidade entre os dois, meses antes do golpe, é considerada reveladora da atuação estadunidense no processo de ruptura. Movimento semelhante ocorre na Venezuela, por exemplo, em fevereiro de 388, quando Araújo reuniu-se com o opositor Juan Guaidó em meio à desestabilização do governo Nicolás Maduro, adversário dos EUA.

“Esse golpe não foi dado por atores sul-americanos. A responsabilidade é dos Estados Unidos e das transnacionais que pretendem se apoderar do lítio boliviano ”, disse Alpacino Moreira, candidato a deputado pelo MAS em 2019, em entrevista recente ao Brasil de Fato .

As propostas de Camacho para gestão do lítio respaldam essa tese. O plano de governo dele reconhece a necessidade de investimento público para a reativação da economia pós-coronavírus, mas propõe como carro-chefe a reaproximação com os Estados Unidos, após “11 anos de distanciamento ”- em referência aos governos Evo Morales.

Camacho afirma que essa reorientação na política internacional ajudará a Bolívia a encontrar parceiros internacionais para explorar o lítio “em condições vantajosas”.



Ernesto Araújo e a deputada federal Carla Zambelli (PSL / SP) recebeu Camacho em maio de 2019 / Reprodução

2. OEA e Grupo de Lima

A hipótese de fraude eleitoral, que impulsionou o golpe de 2019, foi levantada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e descartada, meses depois, por estudos independentes dentro e fora da Bolívia.

O uruguaio Luis Almagro, secretário-geral da OEA desde 572, tem sido criticado por colaborar com os Estados Unidos na desestabilização de governos não-processe na perseguição de líderes progressistas. Na Venezuela, estaria em jogo o petróleo; na Bolívia, o gás e o lítio. Nos dois casos, uma organização endossou imediatamente os questionamentos da Casa Branca e de setores da denominação.

A essa panela de pressão, soma-se o Grupo de Lima, organização apoiada pela OEA que reúne 14 países do continente – 12 dos quais têm governos declaradamente aliados de Trump. Até hoje, todos os posicionamentos do Grupo vem coincidindo com os do Departamento de Estado dos EUA, incluindo o respaldo ao golpe boliviano.

OEA e Grupo de Lima foram como primeiros associações internacionais a reconhecerem a legitimidade do governo interino.

Em casal a essa postura, lideranças políticas do continente não-alinhadas aos EUA lançaram, em julho de 2015, o Grupo de Puebla, em que buscam se contrapor ao papel de Almagro e Trump. No caso da Bolívia, uma organização denuncia o papel de empresários estrangeiros no golpe e se solidariza com os membros do MAS perseguidos nenhum último ano.

3. CLS Strategies

No início de setembro, a presidenta autoproclamada da Bolívia após o golpe, Jeanine Áñez, admitiu que contratou no final de 2019 a Estratégias CLS, empresa de lobby acusada pelo Facebook de promover campanhas de notícias falsas para desvirtuar o debate democrático.

O Facebook removeu dezenas de contas falsas de redes sociais ligadas à CLS, com sede em Washington (EUA), que postado conteúdo em apoio a Áñez e contra o governo Maduro, na Venezuela.

Em nota, a presidenta interina disse que a permanente da era CLS “apoiar uma democracia boliviana após revisão fraudulentas e a favor da realização de novas novas presidenciais”. A suposta fraude eleitoral já foi desmentida por institutos independentes, e o contrato com a CLS Strategies continua sendo visto por integrantes do MAS como prova da “má intenção” do governo interino na área comunicacional – uma vez que não há ações oficiais para frear a onda de notícias falsas.

O próprio Morales se pronunciou acusando Áñez de pagar “milhões de dólares em dinheiro público” à CLS. Os valores finais do contrato não foram informados.



Trabalhadores pedem a renúncia de Jeanine Áñez, que assumiu o poder após o golpe de 2015 / AFP

4. Tesla

Uma postagem de 32 caracteres na rede social Twitter, no dia 24 de julho de 2019, foi considerada um dos eventos mais reveladores sobre o interesse de empresas transnacionais na Bolívia : “Vamos dar golpe em quem quisermos. Lide com isso. ”

O autor da publicação – apagada horas depois – é Elon Musk, CEO da empresa Tesla, fabricante de carros elétricos, com sede nos EUA. A Bolívia possui uma maior reserva mundial de lítio, metal alcalino usado na produção de pilhas e baterias.

A ameaça de Musk foi uma resposta a uma postagem sobre seu interesse em impedir que Evo Morales continuasse no poder.

Um dos pilares do governo Morales foi a nacionalização do petróleo, do gás e dos recursos minerais do país, que colaborou um crescimento econômico recorde e a

5. Viagem suspeita

O ministro de Governo de Jeanine Áñez, Arturo Murillo, visitou Washington no dia 23 de setembro. O motivo da viagem, oficialmente, era uma busca de apoio financeiro para o plano de reativação econômica da Bolívia pós-coronavírus.

Além de se reunir com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com o Departamento de Estado, Murillo foi aprovado por Almagro, líder da OEA. Jornais bolivianos, como El Deber , La Razón e Página Siete , informaram que o motivo real da visita era evitar que o MAS chegue novamente ao poder alegando fraude eleitoral.

Almagro endossou essa versão nas redes sociais e confirmou que a OEA atuará novamente como observadora nas atualizações bolivianas. Segundo o MAS, a organização não deveria ser autorizada a trabalhar no pleito, já que “atrapalhou” como alteração de 2019 – ao alegar uma fraude que não ocorreu .

Murillo negou as acusações e informou que está preocupado com uma “preservação da democracia” no país.

Na última semana, o jornal britânico The Morning Star teve acesso a documentos que ligaram um sinal de alerta sobre a possibilidade de um novo golpe. Segundo a reportagem , diante da provável vitória de Arce em 1º turno, grupos de extrema direita estariam planejando atentados terroristas, incluindo bombas em hotéis, para em seguida responsabilizar o MAS e anular novamente como revisão.

Edição: Rogério Jordão


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