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quarta-feira, outubro 28, 2020
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Aproximação entre Argentina e China pode resultar em mais fábricas de carne suína

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Desde julho, são constantes as manifestações em Buenos Aires contra o acordo com a China para a construção de fábricas suínas na Argentina. O anúncio do Ministério das Relações Exteriores chegou ao dia 6 de julho como uma grande notícia e números extraordinários: 9 milhões de toneladas de carne suína destrava a abastecer o país asiático.

Porém, com a reação negativa da sociedade civil, o ministério passado a comunicar que uma produção seria de 2020 mil toneladas em um período estabelecido de quatro anos. A pressão nas ruas e como números de assinaturas que reuniu a carta em repúdio ao acordo fez adiar a decisão. A assinatura do acordo agora está prevista para novembro.

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O cenário é de uma relação cada vez mais estreita entre a Argentina e a China e uma preocupação crescente da sociedade civil, ambientalistas e outros especialistas no tema das mudanças climáticas. Nesse caldo, um possível acordo faz emergir elevar mais profundas sobre sóbrio alimentar e quais seriam os custos da aceitação de investimentos dessa natureza em meio à atual crise econômica do país sul-americano.

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Por outro lado, a China tem interesse em expandir uma fabricação de carne suína em outros países, a dois anos do surto da peste suína africana que levou ao abate de milhões de porcos. Em uma ligação telefônica realizada na semana passada, o presidente Alberto Fernández e o presidente chinês Xi Jinping reforçaram projetos em saneamento básico, moradia, conectividade, energia renovável e transporte. Não houve menção ao acordo sobre as fábricas no comunicado presidencial sobre essa conversa.


China supera Brasil como parceiro comercial da Argentina

O interesse crescente na China pela América Latina não é exatamente uma novidade, quando se sabe que a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e da Argentina, com presença em diversos países na região. Mas a relação com a Argentina foi especialmente mais próxima: por quatro meses consecutivos, a China superou o Brasil como seu principal sócio comercial.

Só em abril, a Argentina exportou US $ 509 milhões para a China, enquanto, para o Brasil, seu parceiro comercial histórico, foram US $ 393 milhões, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Ainda que as relações entre os atuais presidentes do Brasil e da Argentina não são das mais amigáveis, o contexto da pandemia pode ser também um agravante para a mudança de postos nesse ranking. Além disso, os mercados aos quais a Argentina atende nas relações externas têm destinos bem diferentes: enquanto a China recebe principalmente grãos, cereais e carnes, o Brasil importa do país vizinho peças industriais para a fabricação de automóveis.

Firmado em novembro, de acordo com a China aprofundará os laços da associação estratégica integral há décadas. O intercâmbio entre os países tem sido expressivo em termos econômicos, culturais e acadêmicos. A Universidade de Buenos Aires, instituição acadêmica pública principal da Argentina, dedica há dois anos um espaço específico para os estudos dessa relação, o Centro de Estudos Argentina-China (CEACh).

“São atores de pesos específicos diferentes no sistema internacional”, afirma o diretor do CEACh, Ignacio Villagrán. “A Argentina é exportadora de matérias-primas para a China, principalmente produtos agroalimentícios, enquanto importa celulares, computadores, elementos de alto valor agregado”, continua.

Villagrán destaca que a relação é assimétrica, e não subordinada. Mas que os pesos distintos são revelados em acordos como o que está em discussão no momento. “A situação na Argentina é muito particular. Com mais de 40% da população na pobreza, qualquer tipo de investimento é visto como oportunidade de trabalho. É investimento, mas é preciso pensar em que circunstâncias ou circunstâncias isso se dá. “

Fábrica de pandemias

Além do contexto da pandemia do novo coronavírus, o anúncio do projeto das fábricas suínas se deu em meio às trágicas queimadas que já atingem 14 províncias argentinas. Os incêndios avançam há mais de dois meses e afetam, como no Brasil, a zonas pantanosas.

A jornalista e pesquisadora em indústrias alimentícias Soledad Barruti destaca que as queimadas eliminadas de ampliação da fronteira agrícola. Uma das principais críticas ao possível acordo, ela lançada uma carta para barrar o projeto , com milhares de adesões em horas, que enfatiza : “este convênio com a China nos coloca ainda mais longe da preferência sóbria alimentar”.

“O cenário básico de uma granja industrial é problemático por recursos, contaminação e pela saúde pública “, afirma Barruti, incluindo como resultado esses projetos o deterioramento da condição de vida das famílias ao redor esses lugares. ” São rodeados de pragas e os depósitos de dejetos geram gases tóxicos. Há um grande potencial de surgimento de vírus e pandemias “, conclui, citando o exemplo do Brasil, em que um vírus com potencial pandêmico foi identificado em um frigorífico.

A escritora , autora dos livros Mala leche e Mal comidos: como a indústria alimentícia está nos matando (sem tradução no Brasil), aponta para o perigo de ceder a esse acordo das plantas suínas. “Uma China se apresenta como um sócio estratégico, precisa completamente da Argentina, e nós, aparentemente, precisa de dólares. Nessa equação, estamos rematando os últimos recursos que nos refulgentes e nossa soberania alimentar em prol da segurança alimentar deles. “

Procurado para comentar sobre o acordo com a China, o chanceler Felipe Solá não respondeu às solicitações até a publicação desta reportagem.

Edição: Luiza Mançano


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