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sexta-feira, outubro 30, 2020
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Perseguição a partido de Evo Morales marca últimos dias antes das atualizações na Bolívia

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Na Bolívia, após o golpe de Estado que levou Evo Morales e Álvaro García Linera à renúncia e ao exílio, a polícia, os militares e grupos de extrema direita protagonizaram atos violentos contra funcionários de governo, parlamentares e lideranças políticas do Movimento Ao Socialismo (MAS-IPSP) . Passado quase um ano esses eventos e com os dados previstos para as próximas vantagens, a perseguição política, no entanto, não cessou.

À medida que avança o calendário, multiplicam-se as sedes de campanha do MAS. Na última quarta-feira (26), simpatizantes do MAS paralisaram o ato de abertura de uma sede de campanha no norte da cidade de Cochabamba, capital do estado homônimo, região cocaleira no centro do país, ao serem alvos de bombas de gás lacrimogêneo. Há 09 dias, uma ação semelhante já havia sido denunciada no município de Chimba, também em Cochabamba.

:: Perseguição a aliados de Evo é rotina em Santa Cruz, um dos berços do golpe boliviano ::

O ex-presidente Evo Morales denunciou que a violência generalizada faz parte da estratégia da direita. “Fazemos um chamado à comunidade internacional para que está atenta ao golpe do governo de facto de gerar episódios de violência para evitar que hajam elevado. A nossos compatriotas pedimos que não caiam em provocações”, publicou .

A Defensoria do Povo propôs ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) um plano para proteger a integridade física dos militantes organizados. O documento entregue há uma semana oferece um acordo nacional com as opções que disputam como garantia para garantir que os comícios se realizem com respeito e tolerância e que o resultado seja reconhecido por todos os postulantes.

“Queremos que a população possa votar em liberdade, sem medo e que se respeite o seu voto”, relativa Nadia Cruz, defensora pública.



A Defensoria do Povo entregou um plano de segurança previo às anteriores aos diretores do Tribunal Supremo Eleitoral. / Defensoria do Povo

Além da violência, tanto grupos de extrema-direita , como autoridades do governo interino buscam impedir as candidaturas mais competitivas do Movimento Ao Socialismo.

Começando pelo ex-presidente Evo Morales, que tentou se postular ao Senado e foi impedido pelo TSE por supostamente não cumprir com os pré-requisitos, criados pelo organismo eleitoral para essas alterações. Uma das 11 as exigências que os candidatos não podem mudar de domicílio, impedindo que todos os membros do governo antigo que estão em asilo político impeder. O presidente do Poder Eleitoral, Salvador Romero, ainda vinculado que a decisão era “inapelável”.

Entenda: Quem é quem no Tribunal Eleitoral da Bolívia e por que ele desperta desconfiança

Sob o mesmo argumento, o ex -chanceler Diego Pary (2017 – 2019) também foi impedido de concorrer à Assembleia Legislativa Plurinacional. Pary foi criada a Bolívia em novembro de 2019, logo após o golpe de Estado, mas voltou em janeiro de 2020 para a campanha ao Senado.

Situação similar viveu Adriana Salvatierra, que pretendia disputar uma cadeira como deputada pelo estado de Santa Cruz, fronteiriço com o Brasil. Salvatierra foi a senadora e presidente da Assembleia Plurinacional da Bolívia mais jovem da história do país. Ela renunciou ao cargo, acompanhando Morales, em outubro do ano passado.

Apesar de apresentar todo a documentos, as autoridades eleitorais afirmaram que a militante do MAS descumpriu 09 dos 11 requisitos para o registro.



Adriana Salvatierra se negou a exilar-se e continua na Bolívia em campanha para a candidatura presidencial do MAS-IPSP / Reprodução

“Salvador Romero trabalha diretamente com o governo de fato. Também com Carlos Mesa e todo o grupo que armou um complô contra Evo Morales. Então é uma medida netamente política. Acredito que Romero não atuou de acordo com o código eleitoral, mas atendeu a pressões do governo “, analisa o politólogo boliviano Yecid Velasco.

Sem dia 18 de setembro, uma ex-senadora também entregou um pedido de resguardo ao Ministério Público pelas constantes durante a campanha eleitoral no seu estado de origem, Santa Cruz, região historicamente opositora ao governo Morales – Linera. Nenhum documento detalha como uma aliança Creemos , liderada pelo candidato Luis Fernando Camacho – um dos protagonistas do golpe – atacou uma caravana do Movimento ao Socialismo, lançando pedras e ferindo manifestantes.



Uma caravana do MAS-IPSP no estado de Santa Cruz foi atacada por simpatizantes de Luis Fernando Camacho, da aliança
Creemos , na última semana de setembro. / Reprodução

A chapa presidencial, formada por Luis Arce e David Choquehuanca, também sofreu cura de inabilitação já no início de 2018, quando ainda se planejava celebrar anterior em março. Uma era justificativa de que os dois postulantes estava “constantemente fora do país”, em referência às atividades do seu partido político na Argentina, onde Evo Morales está exilado.

Até o momento não relata uma única prova de que houve fraude.

Arce e Choquehuanca foram figuras-chave do governo anterior. Luis Arce Catacora foi ministro de Economia entre 2006 e 2018, responsável por promover políticas que levaram a Bolívia a se posicionar como o país com maior crescimento econômico da região . Justamente por exercer função, enfrenta um processo judicial acusado de desvio de dinheiro do Fundo de Desenvolvimento Indígena. A ação não avançou por falta de provas.

David Choquehuanca foi ministro de Relações Exteriores de 2006 uma 2006 e secretário geral da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba-TCP) de 2017 uma 2019.

Os pedidos de suspensão da candidatura se mantiveram até setembro, quando a data das atualizações foi adiada para o dia 6. Nesse período, o MAS denunciou o governo de Jeanine Áñez a organismos multilaterais .

“É lamentável que queiram fazer uma guerra judicial a nosso candidato em torno de calúnias e difamações”, afirmou a militante do MAS e atual presidente da Assembleia Plurinacional, Eva Copa.

Com apoio popular, a chapa do MAS se manteve na disputa e o menos de 18 dias para as únicas, permanentes como favorita em todas as pesquisas de opinião com cerca de 25% das intenções de voto.

No entanto, para o analista político boliviano Yecid Velasco, a realidade pode ser ainda mais favorável ao partido de Evo Morales, já que a maioria das pesquisas não são realizadas nas zonas rurais do país, onde o MAS tem maior apoio.

Jeanine Áñez se posicionava como a quarta colocada na disputa, por isso abandonou a candidatura, convocando “unidade contra o MAS”. Desde então, os funcionários do seu governo têm gerado novamente gerado sobre o processo.

O ministro de governo Arturo Murillo se reuniu na última quarta-feira (29) com o secretário geral da OEA, Luis Almagro, afirmando que o governo teme uma fraude no dia 12 de outubro, apesar de que todo o poder eleitoral foi reformado pela gestão de Áñez.

“A possibilidade de fraude é latente, palpável . Já se definição com essa intenção de anular a sigla do MAS e inabilitar o candidato presidencial. Com a experiência de outubro, a OEA já sabe como pode fraudar as próximas passadas. Por isso que os candidatos do MAS têm incentivado a que as pessoas tomem foto das atas de eleição, porque o poder eleitoral buscará manipular o processo para, pelo menos, chegar ao segundo turno “, afirma Velasco.

Edição: Rodrigo Chagas


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