23 C
Rio de Janeiro
domingo, outubro 25, 2020
- Publicidade -

Durante o primeiro ano de Bolsonaro no cargo, 113 indígenas foram assassinados

- Publicidade -
- Publicidade -

Confirmando todas as expectativas, o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro foi marcado por um aumento significativo de todos os tipos de violência contra os indígenas no Brasil. Um relatório encomendado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que analisa os dados do 2019, será publicado pela entidade na quarta-feira, setembro 24 th, por meio de uma transmissão ao vivo disponível nas contas de mídia social do Brasil de Fato .

Todos juntos, 111 indígenas foram assassinados no ano passado, segundo dados oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) obtidos pelo Cimi. Embora o número seja um pouco menor do que o registrado no ano anterior (135), outros tipos de violência contra essas comunidades aumentaram, 256 casos em comparado com 110 dentro 2018. 32 ameaças de morte foram relatadas, 32 ameaças não especificadas, 14 casos de homicídio culposo, 19 tentativas de homicídio, 08 casos de violência sexual, 13 casos de lesões corporais e 14 casos de racismo ou discriminação étnica.

- Publicidade -

Um dos casos mais conhecidos, que atraiu a atenção internacional, foi o assassinato do Paulo Paulino Guajajara no final do ano passado. Paulino, também conhecido como “Lobo Mau”, fazia parte de um grupo conservacionista denominado “Guardiões da Floresta”. Seu grupo foi emboscado por madeireiros bem dentro das chamadas áreas “protegidas”.

Morte por negligência

- Publicidade -

A negligência do governo com os direitos dos povos indígenas, tem resultado em expressivo aumento no número de suicídios e de mortalidade infantil nas aldeias. Com base na Lei de Acesso à Informação, o Cimi obteve dados do Governo Federal demonstrando que havia 133 casos de suicídio nestas comunidades em 2019, 30 mais do que no ano anterior. Os estados do Amazonas e Mato Grosso do Sul foram os mais afetados, com 35 e 33 casos, respectivamente.

Houve também aumento da mortalidade infantil (crianças de 0 a 5 anos), que saltou de 591 para dentro 825 dentro 2019. Houve 248 casos registrados no estado do Amazonas, 113 no estado de Roraima e 63 em Mato Grosso.

Sem fronteiras, mais conflitos

Além de cumprir sua promessa de campanha de não demarcar novas terras para os povos indígenas, o governo Jair Bolsonaro retrocedeu em 27 procedimentos regulatórios relativos a novas reservas que estavam em andamento. Segundo o Cimi, fora das 829 terras indígenas no Brasil, 829 (63%) deles tem algum tipo de pendência judicial em relação às suas fronteiras.

Em decorrência da decisão política de congelar quaisquer novos processos de demarcação de reservas indígenas, conflitos sobre direitos de terra mais do que triplicou em 2019, com 34 ocorrências, em comparação com apenas 11 dentro 2018. Em um desses casos, agricultores do estado de Mato Grosso do Sul usaram escavadeiras modificadas para atacar as comunidades nativas. Moradores da reserva de Dourados relataram que essas escavadeiras possuíam buracos nas laterais que serviam para disparar armas em todas as direções. A tribo Guarani-Kaiowá também afirmou que os ataques ocorreriam sempre entre 08 pm e 4h.

No estado do Amazonas, os povos Apurinã e Jamamadi são constantemente agredidos pelos fazendeiros que reivindicam seu território. Eles estão atualmente confinados a uma pequena faixa de terra. A Funai, órgão governamental responsável pelos assuntos indígenas, iniciou o processo de demarcação de terras em 2003, entretanto, o processo foi aparentemente abandonado.

Invasões e exploração

O dados do Cimi, mostram que as invasões de terras indígenas, associadas à exploração dos recursos naturais nelas contidas, vêm crescendo a um ritmo alarmante. A entidade atribuiu esse crescimento à postura antiindígena do presidente da nação.

O relatório afirma que, “em 2019, Cimi registrou 248 casos de invasões de terras, exploração ilegal de recursos naturais e vários casos de danos materiais em reservas 135, afetando 135 diferentes tribos nativas . Este número é mais do que o dobro de 2018, quando tínhamos um total de 100 casos ”.

No estado de Rondônia por exemplo, a onda de invasões intensificou a ameaça às terras nativas Uru-Eu-Wau-Wau. Cimi aponta que em abril 2019 sozinho, mais de 180 invasores ilegais entraram no território. Na terra indígena Karipuna, mais de 10 milhares de hectares de floresta foram desmatados, posteriormente vendidos pelos madeireiros, que mentiam aos compradores sobre a legalidade da compra. Operação recente da Polícia Federal na área, apreendeu máquinas, documentos e equipamentos eletrônicos.

Editado por: Luiza Mançano


Boletim Carioca

Assine nossa Newsletter e receba as últimas notícias e ofertas de nossos parceiros em seu email

Veja Também

Últimas Notícias

- Publicidade -