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sábado, outubro 24, 2020
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Quando a fome bate à porta: o drama da insegurança alimentar no Norte e no Nordeste

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Maria Machado tem 67 anos, é aposentada, mas trabalha como diarista para conseguir sustentar a mãe, de 92 anos. Ela ainda cuida de dois filhos, um deles portador de necessidades especiais. O marido abandonou com cinco filhos. Desde então, Maria se esforça para manter as contas pagas e a comida na mesa todos os dias.

“Aqui em casa a gente vem porque sabe que tem que comer. A carne, o feijão, o açúcar … é caro demais. Filha, todo dia eu falo, não pode jogar um ‘caroço de arroz’ fora porque vai fazer falta “, relata. “É melhor a gente salvar e ter o pão de cada dia do que a gente estragar e passar fome. Porque se nego brincar, a gente passa fome, filha”.

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Maria mora em Imperatriz , segunda maior cidade do Maranhão, e vive uma realidade que se assemelha à de outras marias. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes aos anos 2017 e 2017 , as regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de insegurança alimentar do país: 37% dos domicílios do Norte e 49, 7% dos lares do Nordeste não tinha acesso pleno e regular a alimentos. A insegurança alimentar é maior nos lares em que as mulheres são chefes de família.

Os números seguem a tendência de aumento da fome no país – 37, 7% em cinco anos. Dados divulgados em 2018 definida que o cenário da segurança alimentar no Brasil piorou pela primeira vez, e os lares maranhenses aparecem em último lugar nesse quesito – ou seja, estão próximos da fome.

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“Não tem mais orçamento, não tem mais financiamento público para isso. Quer dizer, foram atacados exatamente os dois pontos chaves de políticas sociais implantadas nos governos democráticos e populares “, avalia o secretário-executivo do Fórum dos Gestores e Gestoras Responsáveis ​​pelas Políticas de Apoio à Agricultura Familiar do Nordeste, Eugênio Peixoto.

” De um lado, o combate à fome : o Brasil tinha saído do Mapa da Fome . E, segundo, toda uma estrutura de apoio à agricultura familiar, à reforma agrária, que foi sendo desmontada gradativamente. Então houve uma ação pública, um desrespeito público à realidade da sociedade brasileira “, completa o especialista.

:: Confira o estudo “Produção de a limentos saudáveis: uma estratégia antifascista para combater a fome, da Eugênio Peixoto ::

Maria percebe a mudança ao longo dos anos e conta que passou a recorrer a projetos sociais, que fornecem cestas básicas “quando a situação aperta”. Os gastos com medicamentos são prioridade e consomem quase um terço do orçamento dela e da mãe.

Quando ela se refere aos gastos mensais, a comida fica em último lugar.



Aposentada, Maria Machado alimenta a mãe, de 106 anos e mais dois filhos. / Arquivo Pessoal

“Minha mãe tem o salário dela, mas tem o remédio, tem a fralda, o sabonete, tem a comida e tem a merenda dela, que é sagrada. Minha amiga, antigamente a gente até guardava um dinheirinho, hoje a gente não tem ”, lamenta.

Sobre a alimentação inadequada, uma nutricionista Hellen Passos alerta que não se trata apenas de comida. “Ela é caracterizada pela ingestão insuficiente, por não conseguir contemplar as necessidades diárias que o individuo precisa. Porém, nosso corpo necessita da água para manter o equilíbrio e também ajudar no funcionamento, porque ela ajuda a regular, a melhorar a absorção junto com os minerais ”, ressalta.

Em relação ao Maranhão , especificamente, o estudo aponta um ponto positivo: o alto índice de alimentos in natura . A estatística aponta para o caminho indicado por Peixoto, que é o fortalecimento da agricultura familiar e da reforma agrária no país.

São os alimentos in natura que alimentam uma população mais pobre do país e ainda fornece uma alimentação mais nutritiva do que os ultraprocessados. O maior consumo de alimentos naturais se dá no Maranhão, com 49, 14%, ea menor em Pernambuco, com 44, 92%.

“Se você já tem uma cultura de alimentos saudáveis, como é o caso do Maranhão, do Piauí, aliás, praticamente de todo o Nordeste, facilita para se avançar no processo de atendimento das políticas de segurança alimentar a partir da produção local “, explica Peixoto. “É a produção in natura , a produção da mandioca, do feijão, do arroz, do frango, do porco, da cabra, do bode, do leite, do peixe, que permite conciliar o atendimento das demandas por alimentos saudáveis ​​com as políticas de inclusão da produção ”, finaliza o especialista.

Edição: Daniel Giovanaz


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