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quinta-feira, outubro 29, 2020
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Artigo | Operação Peter Pan: uma gigantesca “fake news” contra Cuba nos anos 60

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Foram incontáveis os atentados praticados contra Cuba pelos diferentes governos estadunidenses: atentados a bombas em diversos locais, ataques com explosões em hotéis de turismo,  inoculação de vírus e bactérias,como a gripe suína,  dengue hemorrágica, pragas na agricultura (entre essas, várias que afetariam o cultivo do tabaco), além de um bloqueio criminoso e  mais de 600 tentativas de assassinato do presidente Fidel Castro. Uma infinidade de tentativas de derrotar o governo constitucional de Cuba, de asfixiar o povo cubano com a reconhecida intenção porque os documentos secretos dos EUA assim declaram de fazer com que o povo cubano, sofrendo reveses econômicos e  financeiros derrubasse seu sistema de governo. Não tiveram nenhum êxito…

Assim sendo, desde 1959, essa verdadeira obsessão dos diversos governos dos EUA em destruir o socialismo da Ilha através de atos terroristas seguiu durante todo o período, desde o triunfo da Revolução Cubana até os dias de hoje, inclusive com a utilização de uma máquina de propaganda que não é novidade para os cubanos.

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Os EUA sempre utilizaram essa estratégia: inicialmente com voos que partiam de Miami para jogar panfletos em Havana, a fim de sublevar a população contra o governo, depois com a instalação da Radio e TV Martí através da qual enviaram – e enviam – programas para subversão popular. Não são bem sucedidos na iniciativa, mas seguem tentando, apesar de um dos seus presidentes ter reconhecido a inutilidade do bloqueio. Não há como subjugar um povo culto e soberano.

Assim, um dos episódios de propaganda e de impressionante “fake news” foi protagonizado pelo governo dos EUA junto com a Igreja Católica cubana, que sempre se posicionou contra a  Revolução: a chamada Operação Peter Pan.

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Em outubro de 1960, começou a ser montada pelo Departamento de Estado dos EUA, CIA, Igreja Católica de Miami e Vaticano, uma gigantesca operação para a infância cubana denominada The Cuban Children´s Program. Em uma construção midiática para aterrorizar a população, especialmente as mães e os pais cubanos, estes atores inventaram uma suposta lei (que nunca existiu de fato) chamada “Lei da Perda do Pátrio Poder”. A suposta lei (confeccionada nos EUA) foi amplamente distribuída de forma clandestina pelo território cubano.

Além disso, por meio de uma rádio instalada em território hondurenho, eram transmitidas notícias a respeito da falsa lei, alertando os pais de crianças entre 5 e 18 anos que o governo revolucionário lhes tiraria os filhos, destituindo-os do pátrio poder e enviando estas crianças para a então União Soviética, com a finalidade de educá-los nos princípios comunistas para que assim fossem convertidos em soldados e/ou…em carne enlatada[1]. 

Algumas das transmissões eram bem aterrorizantes:

“Mãe cubana, ouça só, a próxima lei governamental será tirar seus filhos dos cinco aos 18 anos”, comentário que se alternava com “mãe cubana, não deixe seu filho ser levado embora! É a nova lei do governo (…), quando isso acontecer, eles serão monstros do materialismo. Fidel vai se tornar a mãe suprema de Cuba”.

“Atenção, cubana! Vá à igreja e siga as orientações do clero” era também uma das frases proferidas através da rádio.

O pânico que se espalhou entre as famílias fez com que fossem transportados mais de 14 mil crianças e adolescentes cubanos entre 6 e 16 anos, desacompanhados, em voos de companhias aéreas estadunidenses para o território norte-americano. Cabe destacar que a  grande maioria das crianças e adolescentes estudavam em escolas privadas e descendiam de famílias da então burguesia cubana, predominantemente branca. Dali, elas eram transferidas para orfanatos, casas de famílias que as adotavam (muitas vezes como empregados), acampamentos, alojamentos e até mesmo centros de detenção para menores infratores. Muitos deles jamais voltariam a ver seus pais.

A operação seguiu levando crianças de Cuba para os EUA até 1962, quando o governo estadunidense rompeu relações diplomáticas com Cuba, suspendendo o tráfego aéreo entre os dois países.

Sem dúvida, essa foi a maior manipulação da infância ocidental com finalidade política e um dos mais tristes episódios dentro do continente. Mais um triste episódio de atentados perpetrados pelos governos dos EUA contra Cuba e que não pode ser esquecido.

Algumas crianças/jovens conseguiram superar seus traumas, estudar e ali permanecer como sendo seu próprio país. Outras não tiveram sorte… Com relação a seu país de origem, algumas se tornaram anti-cubanas, enquanto outras se tornaram defensoras do sistema socialista cubano. Uns regressaram a Cuba, outros criaram a Brigada de Solidariedade a Cuba (Brigada Antonio Maceo), em Miami, onde realizam anualmente uma série de atividades a favor de Cuba.

As consequências para cada um/uma foi diferente, dependendo das circunstâncias com que se depararam, mas não se pode negar o tamanho do prejuízo físico, moral e sentimental que os “Peter pan” e suas famílias sofreram com mais esse ataque insensível e cruel criado pelas agências dos EUA, pela Igreja católica e demais cúmplices.

Mas, mais uma vez, não conseguiram ‘dobrar’ o povo cubano.

“Temos memória”

Em Cuba, na primeira semana de setembro, teve início a Jornada Temos memória. Solidariedade x Bloqueio, que segue até dia 10 de outubro. A jornada, realizada anualmente, homenageia as vítimas de atos terroristas patrocinados pelo governo dos EUA contra Cuba desde o triunfo da Revolução.  

O símbolo da jornada lembra um dos mais terríveis atentados praticados contra o povo cubano: o conhecido Crime de Barbados, quando um voo civil da Cubana de Aviação explodiu no ar devido a uma bomba, em 1976, matando todos os passageiros. O ataque foi realizado por dois confessos terrorristas, que viveram livres e impunes em Miami até o fim dos seus dias, protegidos pelo governo estadunidense. O atentado matou as 73 pessoas que estavam a bordo, dentre eles, uma equipe jovem de esgrima.

[1] Não foi essa a primeira vez em que a absurda lenda de que “comunista come criancinha” foi utilizada. Isso já tinha ocorrido na Itália fascista no fim da Segunda Guerra Mundial quando a máquina de propaganda de Mussolini ‘alertava’  os soldados italianos que, caso se rendessem ao Exército Vermelho, seriam mortos, triturados e enlatados para saciar a fome de milhões de soviéticos. Nem originais o governo do EUA e a Igreja souberam ser.

[2] O Comitê de solidariedade a Cuba segue com a Campanha para a nomeação da Brigada Henry Reeve de medicina cubana ao Prêmio Nobel da Paz. Participe.

*Carmen Diniz é coordenadora do capítulo Brasil do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos.

Edição: Luiza Mançano


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