21 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, outubro 23, 2020
- Publicidade -

Artigo | Para quem Bolsonaro falou na Abertura da Assembleia Geral da ONU? 

- Publicidade -
- Publicidade -

No dia 22 de setembro de 2020, como é tradição, o representante do Estado do Brasileiro fez a fala de abertura da Assembleia Geral da ONU. No 75ª aniversário da organização, em função da pandemia da Covid-19, o presidente do Brasil e todos os demais chefes de Estado enviaram vídeos com discursos. 

É comum estudar essas falas para entender a orientação estratégica da política externa brasileira. Ainda que se não se possa depreender de um discurso diplomático todo o conjunto de interesses e determinações que envolve a inserção internacional de um Estado em determinada conjuntura política internacional, é possível, no entanto, entender os principais interlocutores, algumas nuances e questões relevantes. 

- Publicidade -

Houve falas marcantes, como a de Oswaldo Aranha em 1948, na primeira sessão da Assembleia Geral, quando defendeu a repartição do território da Palestina permitindo a criação do Estado de Israel (uma postura cheia de controvérsias). O discurso de Araujo Castro em 1963 que apresentou a diretriz da Política Externa Independente através dos 3Ds (desenvolvimento, desarmamento e descolonização). E o primeiro discurso de uma mulher: Dilma Rousseff. 

Esse discurso de Bolsonaro era aguardado dentro e fora do país. Mas não pela expectativa de ouvirmos algo inusitado, coerente, mas, pela certeza que estaria presente a ideologia neofascista que tem sido a base da subordinação do Brasil aos Estados Unidos neste governo.

- Publicidade -

Nos quatorze minutos de fala identifica-se três inimigos contra os quais ele tentou se defender ou atacar: aqueles que têm atacado a política ambiental (as queimadas da Amazônia e do Pantanal, o Estado venezuelano acusado de ter derramado óleo nas praias brasileiras, e a suposta cristianofobia. São três construções fantasiosas, mas, que trazem em si os interesses de classe que governo representa. Ao tentar dizer que o Estado é contra os crimes ambientais, a biopirataria e extração da madeira: responde aos ataques da União Europeia que colocam em xeque o Acordo com o Mercosul e as posições dos democratas nos Estados Unidos (congressistas e o candidato Joe Biden) que vêm se colocando em defesa da Amazônia.

As acusações sobre a Venezuela, além de desviarem as incapacidades que o governo teve em conter o derramamento de óleo no litoral, contribui na luta dos Estados Unidos contra o governo Maduro. Tenta justificar o papel que o Estado brasileiro vem assumindo em relação ao Estado vizinho, permitindo ameaças e uso do território nacional para uma possível invasão imperialista, como se pode ver na visita do Secretário de Estado, Mike Pompeo, à Roraima, no dia 19 de setembro. Por fim, ao apelar no combate da cristianofobia, deixa evidente a aliança transnacional construída entre governo Trump, governo Bolsonaro e o Estado de Israel. 

No meio do discurso também aparece a propaganda sobre as reformas políticas domésticas como meio de conquistar investimento externo ou vender os ativos nacionais passando os custo aos trabalhadores. Trata-se da meta do ingresso na OCDE. Segundo ele, o pacote inclui: a reforma financeira, a segurança digital, a proteção ambiental, a reforma da previdência (aprovada em 2019), as reformas tributária e administrativa (que estão em debate no Congresso) e os novos marcos regulatórios do gás natural e saneamento. Isso indica que o capital externo ocupa uma posição privilegiada no seio do bloco no poder. Ele também afirmou que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo: reforçando a vocação agrária e a relação do governo com o agronegócio

O projeto é claro: subordinação passiva ao imperialismo. Neoliberalismo 2.0 levado ao extremo. A economia acima das vidas. 


A frase final de Jair Bolsonaro foi: o Brasil é um país cristão e conservador, e tem a família na sua base. A análise que podemos fazer é: o governo Bolsonaro é fascista e comete crime de lesa pátria.

Tatiana Berringer é professora de Relações Internacionais da UFABC.

Edição: Rodrigo Durão Coelho


Boletim Carioca

Assine nossa Newsletter e receba as últimas notícias e ofertas de nossos parceiros em seu email

Veja Também

Últimas Notícias

Deputados da Alerj aprovam pedido de encampação da Via Lagos

Apenas a bancada do partido Novo votou contra a proposta. A pauta foi analisada pelo plenário um dia depois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiar o julgamento que decidiria se a administração da Linha Amarela ficaria com a Prefeitura do Rio ou com a Lamsa.

“Não estamos sendo educados para a tolerância”, diz Clóvis de Barros Filho à CNN

Na noite da próxima sexta-feira, dia 23, às 23h15, o programa “CNN Nosso Mundo” recebe Clóvis de Barros Filho, doutor...

Prefeitura fiscaliza estações para ver se BRT cumpre exigências do Ministério Público

Ao longo da manhã, equipes estiveram em seis estações e terminais: Alvorada, Santa Cruz, Mato Alto, Pingo D´Água, Campo Grande e Terminal Recreio.
- Publicidade -