26.3 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, setembro 18, 2020
- Publicidade -

Canudos: Instituto preserva memória de uma história brasileira de resistência

- Publicidade -
- Publicidade -

No último dia 13 comemorou-se 127 anos da fundação do arraial de Canudos. Em 1893, às margens do rio Vaza-Barris, no norte da Bahia, iniciou-se a construção da vila que se tornaria um dos mais importantes focos de resistência popular contra a opressão do Estado e dos coronéis. Nomeada mais tarde pelo seu líder, Antônio Conselheiro, como Arraial de Belo Monte, ela foi destruída pelas forças do governo em 1897, tendo sua história, por muito tempo, sido contada pelas mesmas elites que produziram o massacre.

Na vila, que chegou a ter cerca de 20 mil habitantes, o modo coletivo de produção atraía famílias que buscavam melhores condições de vida, longe dos latifúndios. O crescimento do arraial acabou por despertar o medo dos donos de terras e do Estado que, considerando a comunidade uma ameaça à ordem, enviou grande contingente do exército para destruí-la.

Após quase um ano de resistência em uma luta desigual, os poucos sobreviventes se renderam e o arraial foi incendiado. Mais tarde, a região foi inundada para a construção de um açude e seus habitantes forçados a se retirar, reconstruindo a cidade em outro lugar.

>

Memória popular

- Publicidade -

Apesar disso, Canudos vem conseguindo resgatar sua memória através, principalmente, de ações e movimentos populares. Entre elas está a fundação, em 1993, do Instituto Popular Memorial de Canudos (IPMC). Vanderlei Leite, atual presidente do Instituto, conta que a ideia de sua criação surgiu entre vários representantes da comunidade e movimentos sociais durante os preparativos para a romaria que celebrava os 100 anos da fundação do arraial: “As pessoas discutiram a necessidade de criar uma instituição para documentar e atualizar a história do Arraial de Belo Monte”. O instituto é uma organização não-governamental, que se mantém com pequenas doações dos sócios e serviço voluntário e é hoje uma referência no tema.

“Vinham vários pesquisadores, professores, fotógrafos, conhecer Canudos, conhecer a história, e não tinha esse espaço de apoio, com obras literárias,  um acervo histórico”, explica Leite. A entidade conta com uma capela que guarda o cruzeiro erguido por Antônio Conselheiro assim que chegou ao arraial de Belo Monte, uma biblioteca para consulta e visitação, e exposição com peças do período da guerra.

A proposta é contar a história por outra perspectiva. Nas palavras de Leite, trata-se de contar “a história de Canudos a partir da reflexão, da visão mais local, inclusive com descendentes de sobreviventes da guerra. São as várias pessoas que existem aqui na região que continuam nos atualizando com a verdadeira história de Canudos”. Elas, que segundo Leitei podem “relatar de forma natural a história da comunidade de Belo Monte”, são consideradas prioridade nessa reconstrução.

No sertão e nas redes

O IPMC, conta Leite, tem realizado diversas ações que contribuem para a divulgação da memória de Canudos, entre elas seminários em universidades, escolas e eventos, além de publicações impressas. “A gente tem como experiência a publicação de um almanaque anual que retrata de forma popular a vivência das comunidades tradicionais e a vivência da comunidade de Belo Monte”, afirma. O instituto também é correalizador da romaria anual de Canudos.

Pessoas de diversas regiões do país e do mundo já visitaram o local guiadas pelos membros do Instituto./IPCM

 

Fazem parte de seu corpo de membros, professores e guias turísticos, que atendem visitantes de outras regiões do país e do mundo. Leitei informa, ainda que “estamos nos organizando para utilizar as redes sociais como ferramenta de divulgação dos nossos trabalhos”. Nestes espaços é possível envolver mais pessoas, de outros lugares e experiências, nas vivências e lutas das comunidades tradicionais. O IPMC pode ser visitado no Facebook e Instagram.

O exemplo da vila de Antônio Conselheiro resiste nas memórias vivas de seus habitantes e também em lutas atuais. “As frentes de resistência que acontecem hoje têm um pouco de Canudos presente”, nota Leite.

Em tempos em que o autoritarismo e a criminalização de movimentos populares voltam a ser constantes ameaças, é preciso, mais do que nunca, não esquecer seu exemplo e sua história.

Boletim Carioca

Assine nossa Newsletter e receba as últimas notícias e ofertas de nossos parceiros em seu email

Veja Também

>

Últimas Notícias

Esporte Espetacular – A brasileira que revolucionou o tênis dentro e fora das quadras

Maria Esther Bueno morreu em junho de 2018, mas o legado da tenista está eternizado na história. Um fenômeno...

Vasco da Gama x Coritiba: Escalação e onde assistir

A TV Globo transmite o jogo do Vasco ao vivo para Rio de Janeiro, Paraná, mais nove estados e o Distrito Federal, logo depois de 'Temperatura Máxima'

Sandra de Sá é a anfitriã de novo quadro da Janela UBC

Foto: Beto GattiA partir da próxima segunda-feira...

Combate – Ex-campeões na luta principal do ‘UFC Covington x Woodley’

Uma rivalidade antiga de lutadores com estilos muito parecidos....

Flamengo: “Domènec Torrent precisa tomar cuidado ou pode não durar”, diz Rivaldo

Após perder por 5x0 para o Independiente Del Valle, o técnico pode não durar muito no clube carioca, segundo embaixador da Betfair.net

Vasco da Gama negocia com o lateral Antonio Valencia, ex-United

O Vasco da Gama está em busca de um lateral direito e já começou a conversar com Antonio Valencia, ex-Manchester United, que atua como meia e também como lateral direito.
- Publicidade -